Pré-candidato ao governo do Paraná, o senador Sergio Moro (PL) tem defendido o presidenciável de seu partido, Flávio Bolsonaro, diante dos desdobramentos do caso Master. A postura é explorada por adversários de esquerda, que ressaltam diferenças em relação a sua atuação na Lava-Jato e do período em que se manteve rompido com o bolsonarismo.
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A conduta do ex-juiz chamou a atenção nas redes sociais nesta semana, a partir da viralização de um vídeo que mostrou sua reação no momento em que Flávio admitiu ter visitado o banqueiro Daniel Vorcaro em novembro do ano passado, em sua casa após o dono do Master ter sido preso pela primeira vez.
A expressão de Moro na ocasião foi ironizada por perfis de esquerda no X, que compartilharam a gravação e disseram que o ex-juiz da Lava-Jato estaria sendo leniente “suspeitas de corrupção” em relação ao aliado.
Desde a semana passada, Moro tem sido alvo de integrantes da esquerda, como a ex-ministra e pré-candidata ao Senado pelo Paraná Gleisi Hoffmann (PT), segundo a qual existiria um “silêncio ensurdecedor” dele após o vazamento de áudio enviado por Flávio a Vorcaro na semana passada. Em resposta, Moro disse que “sinônimo de corrupção é o PT” e afirmou ter assinado o requerimento de abertura da CPI do Master. O senador também foi citado em discurso do presidente Lula nesta semana durante um compromisso em uma refinaria da Petrobras em Campinas (SP), quando o petista o acusou de “tentar fazer falcatruas com a Lava-Jato”.
Moro disse, em nota, que “é contra a corrupção e, por este mesmo motivo, contra o governo Lula que, ao desmantelar a Lava-Jato, abriu as portas para a volta da roubalheira, inclusive com suspeita de envolvimento do Lulinha”. No texto, o senador disse ter como proposta de campanha a criação de uma “agência estadual anticorrupção” com mandato fixo para diretor.
Sergio Moro e a troca de mensagens com Deltan Dallagnol

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O Misitro da Justiça Sergio Moro e o Procurador Federal Deltan Dallagnol, negaram que houve irregularidades na troca de mensagens. Na época o Ministro da Justiça, Sérgio Moro, era o juiz Federal encarregado da Operação Lava-Jato -24/10/2017Agência O Globo

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O Ministro Sergio Moro, disse não ver nada demais na troca de mensagens. Para o Ministro o fato é que houve à invasão criminosa de celulares de procuradores e divulgação das conversas e isso é graveAgência O Globo

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O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) instaurou reclamação disciplinar contra o procurador Deltan Dallagnol após a divulgação das mensagens Agência O Globo

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O conteúdo e a interceptação das mensagens trocadas serão investigados. O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) instaurou reclamação disciplinar contra Dallagnol, e a Polícia Federal vai apurar, no mesmo inquérito que tenta identificar os invasores do celular de Moro, como foram obtidas as mensagens publicadas no domingo pelo site The Intercept.- 10/08/2016Agência O Globo

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O procurador Dallagnol terá que prestar esclarecimentos por escrito ao CNMP, em dez dias, sobre as conversas vazadas, em nome da força-tarefa da Lava-Jato. Agência O Globo

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O Ministro Sergio Moro declarou que mensagens trocadas com procurador Deltan Dallagnol não são orientações sobre ações da Operação Lava-Jato. Site de notícias divulgou conversas trocadas entre o ministro e o procurador através de aplicativo de mensagens. AFP

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O ministro da Justiça está em Manaus, Amazonas, para a abertura do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Justiça, Cidadania, Direitos Humanos e Administração PenitenciáriaREUTERS

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O evento reúne secretários de segurança pública. Na coletiva o Ministro afirmou que não pode confirmar a autenticidade das mensagens divulgadas pelo site 'The Intercept Brasil'AFP

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A afirmação se refere aos diálogos entre ele e o procurador do Ministério Público Federal (MPF) Deltan Dallagnol sobre temas ligados à Operação Lava-Jato. As conversas sugerem uma suposta combinação de atuações entre os dois, na época em que o ministro era juiz do casoAFP

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Também afirmou que juízes conversam com procuradores, juízes conversam com advogados, juízes conversam com policiais. Isso é algo normal.REUTERS

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O ministro Sergio Moro, disse ainda que não tem mais essas mensagens. Falou que não guarda registro do fatoREUTERS
Construção de imagem
Hoje bandeira de campanha, o tema pautou a construção da imagem de Moro durante a Lava-Jato, que atingiu governos petistas. Após a eleição de Jair Bolsonaro (PL), o ex-juiz virou um “superministro” da Justiça de sua gestão. A relação entre os dois, no entanto, se deteriorou no início de 2020, quando Moro pediu demissão do cargo e acusou o ex-presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal para beneficiar familiares.
“O presidente me disse mais de uma vez, expressamente, que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, que ele pudesse colher relatórios de inteligência, seja diretor, seja superintendente”, escreveu no X.
No mesmo período, Moro disse que “assim como Lula, Bolsonaro mente” e que “nada do que ele fala deve ser levado a sério”. “Sério que, entre um ladrão de um lado e um ladrão do outro, a culpa é do juiz?”, também questionou na época.
A trégua com o bolsonarismo veio em 2022, depois de ele desistir de se candidatar ao Palácio do Planalto e declarar apoio a Bolsonaro. Desde então, diante das crises que atingiram o grupo político do ex-presidente, o senador se dividiu entre momentos de silêncio e de defesa dos aliados.
Em 2023, foi criticado por Carlos Bolsonaro, por não se manifestar depois do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decretar a inelegibilidade de Bolsonaro. Já no ano seguinte, saiu em defesa do ex-presidente depois de a PF concluir o inquérito das joias sauditas e pedir seu indiciamento.
Em um movimento que selou a reaproximação, o ex-juiz trocou no início deste ano o União Brasil pelo PL para concorrer ao governo do Paraná e dar palanque para Flávio.
- Sergio Moro