O deputado italiano Angelo Bonelli, que informou às autoridades do país o endereço da ex-deputada Carla Zambelli (PL), no ano passado, quando a parlamentar chegou a ser presa pela Interpol, afirmou nesta quarta-feira que, atualmente, ninguém sabe onde ela está. Na avaliação dele, ela estaria esperando as eleições presidenciais brasileiras deste ano, em outubro, na expectativa de que uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) possa trazê-la de volta.
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— A última vez que a Carla Zambelli foi vista em público foi numa igreja em Roma, num encontro de apoio a ela — disse Bonelli, durante agenda na Câmara Municipal de São Paulo, conforme divulgado pelo portal UOL. — Se o (Flávio) Bolsonaro ganhar, pode ser que o governo futuro pense em fazer uma anistia para quem cometeu crime, como a Carla Zambelli — completou.
Bonelli também mencionou a "responsabilidade pública" da deputada enquanto parlamentar eleita, alegando não ser "uma postura boa" se eximir de cumprir as determinações judiciais do Brasil.
— Quando uma pessoa foge da Justiça, não é uma postura boa, especialmente quando essa pessoa tem uma responsabilidade pública — disse o italiano.
No Brasil, Bonelli, que é ativista ambiental, se reuniu com representantes do Partido Verde (PV) para discutir questões ligadas ao meio ambiente, à sustentabilidade e às mudanças climáticas. Segundo a Câmara Municipal, o encontro foi idealizado pelo vereador Roberto Tripoli (PV).
Culto na Itália
A última aparição de Zambelli ocorreu no último dia 11, quando ela participou de um culto organizado pelo grupo evangélico brasileiro "Patriotas em Roma", como mostrou o GLOBO. Na ocasião, em discurso emocionado no púlpito, ela orou pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pelos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Em outro momento, Zambelli também agradeceu o apoio dos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Eduardo Girão (Novo-CE), Magno Malta (PL-ES) e Damares Alves (Republicanos-DF), que teriam "cruzado o Oceano Atlântico" para visitá-la na prisão.
— Hoje, graças a Deus, não tenho raiva no meu coração. Eu oro para que Deus tenha misericórdia daquelas almas que hoje fazem injustiça, que prendem e perseguem. Porque, se eles se arrependerem e mudarem o caminho, ainda serão dignos da justiça e salvação de Deus. Que Deus possa fazer milagres na vida de cada um dos presos de 8 de janeiro e na vida do nosso presidente Bolsonaro — disse Zambelli.
O discurso foi feito divulgado nas redes sociais pelo perfil do grupo religioso e também por Rita Zambelli, mãe da ex-parlamentar e pré-candidata a deputada federal pelo PL em São Paulo. Segundo ela, o evento se tratava de um "Culto em Ação de Graça" dedicado à liberdade de Carla.
Situação na Itália
No final de maio, a Corte de Cassação da Itália, o equivalente ao Supremo Tribunal Federal do país europeu, revogou a decisão que havia autorizado a extradição da ex-deputada, que também teve a liberdade concedida.
A decisão foi expedida na mesma semana em que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que o Ministério da Justiça e o Itamaraty adotassem medidas para efetivar a extradição da bolsonarista, justamente em razão decisão da Corte de Roma favorável ao procedimento.
Ambas as decisões tem relação com a primeira condenação imposta pelo STF a Zambelli, no caso da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em tal processo, a ex-deputada foi sentenciada a dez anos de prisão.
De acordo com a defesa de Zambelli, a decisão da Corte de Cassação abrange os dois processos em que foi pedida sua extradição, atingindo portanto o pedido relacionado à segunda condenação da ex-parlamentar, por por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
A deputada bolsonarista, que tem cidadania italiana, deixou o Brasil em maio do ano passado, passando pelos Estados Unidos antes de se mudar para o país europeu. Dois meses depois, ela foi presa e afirmou que queria ser julgada na Itália.
Em dezembro, a Câmara dos Deputados rejeitou a cassação de Zambelli, em uma tentativa de preservar seu mandato. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, anulou a votação promovida pelos parlamentares, decretando diretamente a cassação em razão da condenação da bolsonarista à prisão.
Enquanto o processo de extradição corria na Itália, a Justiça daquele País decidiu manter a ex-deputada detida na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, por entender que havia risco de fuga. Segundo o governo brasileiro, caso seja extraditada, a ex-parlamentar ficará presa na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.