A operação da Polícia Federal realizada na quinta-feira e que teve como um dos alvos o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), expôs os elos do escândalo do Banco Master com o PT da Bahia.
Wagner foi alvo de operação que apura se ele atuou a favor dos interesses do Banco Master no Congresso em troca de "vantagens indevidas". A corporação suspeita da atuação do senador a favor de projetos de interesse do banqueiro Daniel Vorcaro, como a "emenda Master", em troca de benefícios como um apartamento de luxo de R$ 2,4 milhões em Salvador e repasses a uma empresa de sua nora. O inquérito também identificou o pagamento de ingressos para um show no exterior.
Governistas reconhecem o desgaste do episódio e temem o impacto que isso pode ter na campanha de reeleição do presidente Lula. Apesar de um grupo de aliados defender a saída de Wagner da liderança do governo, o próprio senador indicou em entrevista que teve apoio de Lula e deverá permanecer no cargo.
Oposicionistas, por sua vez, passaram a usar a operação como uma forma de atacar o petista e seus aliados, numa tentativa de descolar o escândalo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário do presidente na eleição, que vinha sendo criticado por ter pedido dinheiro a Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Eles tentam jogar o desgaste do Master ao PT, afirmando que uma das origens do caso da fraude bancária teria começado nas gestões do partido na Bahia, quando Rui Costa (ex-ministro da Casa Civil de Lula) era governador.
A PF apontou relação próxima de Wagner com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. A relação entre o PT da Bahia e o empresário remonta ao governo Rui Costa, quando ele privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo. A Ebal foi comprada por Lima, que também arrematou um cartão de crédito consignado para servidores e aposentados. Esse cartão, depois nomeado Credcesta, teve a operação expandida para todo o país em parceria com o Master, banco que o empresário deixou em 2023.
Um governista que defendia que Wagner deixasse a liderança do governo afirma que uma das coisas que preocupa aliados agora é se o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa também pode ser alvo de operação da PF.
A corporação apontou que mensagens, áudios e chamadas de voz demonstraram relação de “elevado grau de confiança pessoal” entre Wagner e Augusto Lima. Em um dos diálogos interceptados pelos investigadores, o empresário afirma ao senador: "Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”.
A PF suspeita da atuação parlamentar do senador em temas de interesse do Master, como na tramitação de propostas sobre crédito consignado e o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e ainda durante a fiscalização parlamentar sobre a compra do Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). A PF apontou uma correlação entre essas atuações e supostas “vantagens econômicas indevidamente” recebidas por Wagner.
As suspeitas recaem em três momentos: a apresentação de uma emenda a uma medida provisória (MP), editada em 2022, sobre o aumento da margem consignável da remuneração disponível para os trabalhadores regidos pela CLT, para os aposentados e pensionistas vinculados ao RGPS, com autorização para empréstimos e financiamentos por beneficiários do BPC e de outros programas federais de transferência de renda; na tentativa de aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com repercussão sobre o limite de cobertura do FGC; e na fiscalização da operação de potencial aquisição do Master pelo BRB.