O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) declarou nesta sexta-feira que não vai ser candidato a governador de Minas Gerais. O senador disse que tomou a decisão de encerrar sua participação na vida política.
– Eu vou fechar o ciclo da política, é algo que eu já havia programado há bastante tempo. Quando entrei na política eu dizia sempre que a gente tem uma data de entrada e uma data de saída, que não me eternizaria na política. Tenho muito desapego ao poder e felizmente não preciso da política para sobreviver. Eu tinha decidido que ia sair desse ciclo, ao sair da presidência do Senado essa decisão estava muito bem refletida e estou mantendo essa decisão.
O senador era visto como opção prioritária para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser candidato a governador em Minas Gerais e dar palanque para o petista no estado.
Pacheco chegou a trocar o PSD, que em Minas está mais alinhado à direita, para ir ao PSB e sinalizou aproximação com Lula, mas o acordo no estado acabou estremecido após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), articular a derrubada da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Pacheco era o nome de preferência de Alcolumbre e outros senadores para a vaga. Setores do governo e do PT passaram a ver o ex-presidente do Senado com desconfiança após o episódio. Pacheco, no entanto, voltou a negar hoje ter trabalhado contra Messias.
Ao comentar sobre a possibilidade de ser indicado ao Tribunal de Contas da União, caso o ministro Bruno Dantas antecipe sua aposentadoria, Pacheco reforçou que não existe a vaga e “é algo que não se cogita”.
Mesmo decidindo não concorrer para dar palanque ao petista, o senador elogiou o presidente Lula:
– Minha relação com o presidente Lula é muito boa, sempre foi muito boa. Nós nos gostamos, temos apreço um pelo outro e tivemos uma convivência muito sadia mesmo antes de ele assumir a Presidência da República.
Veja fotos de José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil do governo Lula

1 de 15
José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, na comemoração dos 43 anos do PT, em fevereiro de 2023 — Foto: Cristiano Mariz / Agência O Globo

2 de 15
José Dirceu, então líder estudantil, durante manifestação em 1968, após a morte do estudante José Guimarães — Foto: Arquivo / Agência O Globo

3 de 15
José Dirceu quando jovem, em 1968 — Foto: Arquivo

4 de 15
Foto de 1969 mostra 13 dos 15 presos políticos trocados pelo embaixador americano, entre eles José Dirceu, segundo em pé da esquerda para a direita — Foto: Agência JB

5 de 15
Dirceu em 1997, então presidente do Partido dos Trabalhadores — Foto: Sérgio Tomisaki

6 de 15
Dirceu e Lula durante entrevista coletiva em 1997 — Foto: José Luiz da Conceição

7 de 15
Dirceu abraça Itamar Franco, então governador de Minas Gerais, em 1998 — Foto: Sérgio Marques

8 de 15
José Dirceu em 2001, então presidente nacional do PT — Foto: Letícia Abras

9 de 15
Os deputados Aloísio Mercadante, José Genoíno e José Dirceu conversam no plenário da câmara, em 2001 — Foto: Ailton de Freitas

10 de 15
Os ministros Márcio Thomaz Bastos e José Dirceu conversam durante a primeira reunião ministerial do governo Lula, em 2003 — Foto: Gustavo Miranda

11 de 15
Dirceu, em 2004, quando era ministro da Casa Civil do governo Lula — Foto: Ailton de Freitas

12 de 15
José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil, depõe no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, em 2 de agosto de 2005, investigado por denúncias de pagamentos de mesadas a deputados, esquema que ficou conhecido como 'mensalão' — Foto: Evaristo Sá / AFP

13 de 15
José Dirceu, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante um comício em defesa da democracia, em São Paulo, Brasil, em 17 de junho de 2005. — Foto: Maurício Lima / AFP

14 de 15
Em 2015, José Dirceu deixa a Superintendência da PF, em Brasília, em direção ao aeroporto de onde segue para Curitiba. O ex-ministro foi preso em mais uma fase da operação Lava-Jato. — Foto: ANDRE COELHO / Agencia O Globo

15 de 15
José Dirceu deixa a prisão em Curitiba, em maio de 2017. — Foto: Geraldo Bubniak
O parlamentar também comentou sobre os cotados para disputar o governo de Minas Gerais e falou sobre as opções do PSB para a disputa. Ele, porém, fez uma ressalva de que se trata de opinião e de que não vai participar do processo de escolha.
– Acho importante que esse campo democrático, progressista, de pessoas que querem reconstruir Minas Gerais possa escolher um nome que esteja à altura e tenha nomes bons. Na pergunta você cita o nome de Josué Gomes da Silva, que foi presidente da Fiesp, é mineiro, filho do nosso saudoso vice-presidente José Alencar. Assim como temos também o ex-procurador geral da Justiça Jarbas Soares. São dois nomes que estão filiados ao PSB.
Ao comentar sobre o escândalo do banco Master envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), rival de Lula na pré-candidatura ao Palácio do Planalto, Pacheco disse também ter uma boa relação com o parlamentar da oposição e disse que ele não pode ser julgado antecipadamente.
– É preciso garantir a todas as pessoas, inclusive ao senador Flávio Bolsonaro, o direito de defesa, contraditório, o devido processo legal, a presunção de não culpabilidade. Isso se aplica a ele e a qualquer cidadão. Não vou me permitir fazer qualquer tipo de exploração midiática ou política de algo que precisa ser suficientemente explicado.
As declarações foram dadas durante um evento do Lide realizado em São Paulo.
Decisão dos EUA que classificou facções como terroristas
O ex-presidente do Senado também criticou a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas
– Eu não considero que seja uma decisão acertada, ao contrário, considero equivocada. Caberá ao Ministério das Relações Exteriores fazer essa tratativa com os Estados Unidos para ajudar a combater às organizações criminosas. Considero que essa classficação não é necessariamente uma ajuda.
Pacheco disse que a decisão “banaliza o conceito de terrorismo”.
– Quando se classifica essas organizações criminosas como terroristas isso acaba banalizando o conceito de terrorismo e não resolvendo o problema das organizações criminosas.