Tratados como os únicos estados ainda sem palanques definidos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Minas Gerais e Goiás devem ter as situações "resolvidas" entre a próxima semana e o início de julho, segundo o presidente nacional do PT, Edinho SiIva. Apesar das indefinições, o líder partidário defende que a campanha presidencial está "extremamente organizada e estruturada no Brasil inteiro". Conforme mostrou reportagem do GLOBO, a esquerda goiana ainda não possui uma chapa majoritária encaminhada em meio à desconfiança de petistas em relação ao nome escolhido pelo núcleo local.
- Goiás: Delúbio Soares chama Joaquim Barbosa de 'desqualificado' e diz que pedirá revisão criminal do Mensalão
- 'O voto nos estados': Entenda como indefinições travam palanque de Lula em Goiás
— Falta resolver (os palanques de) Minas e Goiás. Em Minas, o fato relevante foi a desistência do Rodrigo Pacheco (PSB). Mas as conversas estão avançadas, e eu penso que, em uma semana, definiremos a tática em Minas. E em Goiás, resolvemos até a primeira semana de julho — disse Edinho, em entrevista ao Valor Econômico divulgada nesta segunda-feira.
Segundo Edinho, o terceiro mandato de Lula foi marcado pela "forma republicana" como ele lidou com governadores e prefeitos, o que gerou facilidade para a composição de acordos com siglas aliadas. A estratégia em Minas, no entanto, foi frustrada pela desistência de Pacheco, que, mesmo sendo o nome preferido por Lula, decidiu encerrar sua participação na vida política após o término do mandato como senador.
Por conta disso, o PT passou a trabalhar a possibilidade de lançar uma candidatura própria, como defendeu uma resolução aprovada pelo partido. Mesmo assim, como a "prioridade é a reeleição de Lula", Edinho deixou em aberto firmar alianças com outras legendas:
— O PT aprovou uma resolução defendendo a candidatura própria, o que é correto, porque você não pode entrar no processo de negociação sem uma posição. Mas é evidente que os dirigentes do PT de Minas sabem que a prioridade é a reeleição do presidente Lula — disse. — Nós temos conversado com o Gabriel Azevedo, que é uma liderança do MDB. Temos alianças com o MDB em estados importantes, como Alagoas e Pará. Mas também estamos dialogando com o PSB — completou.
Mesmo após a negativa de Pacheco, o PSB em Minas sinalizou que terá uma candidatura própria ao governo, de acordo com Otacílio Costa Neto, presidente estadual da sigla e prefeito de Conceição do Mato Dentro (MG).
Já Azevedo, do MDB, é ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte e pré-candidato ao governo, e já chegou a se reunir com Edinho em encontro que contou com a presença do presidente nacional do partido, o deputado federal Baleia Rossi (SP). O PT também já considerou uma composição com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que tem resistido à possibilidade.
Indefinição em Goiás
A demora para a definição do palanque lulista em Goiás é criticada por membros do partido e de siglas aliadas, que apontam a ausência de construção coletiva, possíveis prejuízos para o projeto de reeleição de Lula e, ainda, ressaltam a dificuldade de recuperar o tempo perdido frente a outras pré-candidaturas já consolidadas.
No campo adversário, o governador Daniel Vilela (MDB) assumiu o comando do estado no fim de março e herdou a popularidade e alta aprovação da gestão de Ronaldo Caiado (PSD), que deixou o cargo para concorrer à Presidência. Ao contrário da esquerda, a base governista enfrenta uma profusão de pré-candidaturas ao Senado com o endosso do ex-governador.
A indefinição no PT ocorre porque a presidente do diretório local, a deputada Adriana Accorsi, descartou concorrer ao Palácio das Esmeraldas para priorizar um novo mandato na Câmara. Indicada como o principal nome do partido, ela é criticada por petistas do estado, que questionam sua condução nas articulações que culminaram na falta de um projeto robusto.
Dentre os aliados, a aposta era Aava Santiago (PSB), vereadora de Goiânia. Com grande alcance nas redes e influente entre mulheres evangélicas, ela chegou a ser recebida por Lula no Palácio do Planalto, mas prioriza trabalhar para eleger deputados estaduais e federais.
Atualmente, o PT trabalha pela pré-candidatura do ex-deputado Luis Cesar Bueno. Ao GLOBO, ele rebateu a avaliação de que há demora na definição da estratégia eleitoral petista, e alegando que a tática demonstra "cautela e prudência" na tentativa de "ampliar ao máximo" o palanque.
Bueno diz que uma das razões para postergar a decisão foi a espera pelo ex-governador Marconi Perillo (PSDB). O PT procurou o adversário histórico para firmar uma aliança a partir do entendimento de que, no cenário atual, ele representa uma opção mais ao centro. A movimentação, porém, foi frustrada.
Bueno foi apresentado na última semana para os partidos coligados e deve realizar novas reuniões ao longo dos próximos dias em busca de oficializar a composição, além de afirmar que sua indicação já foi reconhecida pela Executiva Nacional.
O ex-deputado, contudo, é visto com desconfiança por correligionários, que relatam receio de ter um "palanque inexpressivo". Bueno já presidiu o diretório local por três vezes e integrou a direção nacional em ao menos quatro gestões distintas.
- Edinho Silva
- Goiás (GO)
- Lula
- Minas Gerais