A Polícia Federal apontou que houve um pagamento de 0,6% de comissão a um lobista suspeito de intermediar os aportes bilionários do Rioprevidência em ações ligadas ao Banco Master. Segundo a PF, os investimentos suspeitos da ordem de R$ 3 bilhões foram articulados por Ricardo Siqueira Rodrigues, descrito pelos investigadores como "captador" com "papel ativo" na aproximação entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e autoridades do governo do Rio de Janeiro.
Nesta quinta-feira, ele foi alvo de um mandado de busca e apreensão assim como o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL).
De acordo com a PF, ele garantiu a Vorcaro que resolveria trâmites internos no instituto de previdência dos servidores do Rio e recebeu pelo serviço prestado uma comissão de 0,6%.
"Atingimos a meta estabelecida em apenas 45 dias, o banco foi o segundo maior captador de LF [letra financeira] nesse período e remos um pipeline para o primeiro semestre já em reta final de mais de bilhão", diz Rodrigues a Vorcaro, em mensagem interceptada pela PF.
As informações constam na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso Master, que expediu 10 mandados de busca e apreensão nesta terça-feira.
O despacho de Mendonça autorizando a operação cita trechos da representação da Polícia Federal pedindo as medidas e do parecer da PGR, que concordou com as buscas. As íntegras dos documentos, que reúnem todas as provas da investigação, no entanto, ainda estão sob sigilo.
Com base nas apuração da PF, Mendonça escreveu que o "alinhamento político" entre Castro e Vorcaro permitiram os investimentos do Rioprevidência no Master.
"A partir de relações pessoais e políticas, especialmente entre DANIEL BUENO VORCARO e o ex-Governador do Estado do Rio de Janeiro, CLÁUDIO CASTRO, foram viabilizados investimentos bilionários em Letras Financeiras e fundos de investimento criados ou utilizados pelo banco, em desconformidade com a política de investimentos do RPPS e com as exigências regulatórias. No seu entender, as investigações revelam alterações deliberadas nos procedimentos internos, credenciamentos meramente formais, ausência de análises técnicas, concentração excessiva de risco e uso de intermediários para elevação de comissões e ocultação do pagamento de vantagens indevidas", diz o texto.
O Ministério Público Federal concordou com o pedido da PF e afirmou que há "indícios robustos" de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e de corrupção.
A representação da PF que motivou a Operação de hoje apontou o "sincronismo entre encontros mantidos" entre Castro e Vorcaro e "os aportes financeiros subsequentes" do Rioprevidência no Master. Os investigadores também citaram conversas encontradas no celular do banqueiro sobre as quais há a indicação de que a "liberação de determinados investimentos dependia de alinhamento político com o ex-chefe do Executivo estadual".
O advogado do ex-governador do Rio, Carlo Luchione, informou que acompanhou as buscas no apartamento de Castro, mas ainda não teve acesso à decisão de Mendonça.