A Polícia Federal classificou a gestão de investimentos do Rioprevidência, responsável pelo pagamento a servidores aposentados do Rio de Janeiro, como um "almanaque de irregularidades". De acordo com as investigações, o ex-presidente do instituto Deivis Marcon Antunes era uma das peças centrais no suposto esquema que viabilizou um aporte da ordem de 3 bilhões de reais a ações ligadas ao Banco Master. As transferências teriam ocorrido por "interferência política indevida" e não por critérios técnicos, segundo a PF.
As informações constam na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, que expediu nesta quinta-feira dez mandados de busca e apreensão em endereços do ex-governador do Rio Cláudio Castro e do ex-presidente do Rioprevidência.
"A Polícia Federal assevera que o investigado (Antunes) seria um dos agentes nomeados para praticar gestão fraudulenta, tendo operacionalizado a dinâmica de aplicações em Letras Financeiras e fundos de investimentos com um “almanaque de irregularidades”, em frontal descompasso com o interesse do RPPS (Regime Próprio de Previdência Social)", diz o despacho do ministro do STF.
Conforme as apurações, Antunes foi nomeado ao cargo por Castro com o objetivo de viabilizar os repasses ao Master. Ele seria o responsável junto com outros dirigentes do órgão por mudar a política de investimentos do instituto e viabilizar os aportes mesmo após alertas do Tribunal de Contas do Estado do Rio.
A PF cita que Antunes até encaminhou a cotação de uma instituição financeira concorrente a um lobista do Master. "Estão indo pra cima do rj", escreveu o dirigente.
Apesar de ter sido alvo da operação, ele já se encontra preso desde fevereiro por suspeita de ocultação de patrimônio e obstrução de Justiça.
A representação da PF que motivou a Operação de hoje apontou o "sincronismo entre encontros mantidos" entre Castro e Daniel Vorcaro, dono do Master, e "os aportes financeiros subsequentes" do Rioprevidência no banco. Os investigadores também citaram conversas encontradas no celular de Vorcaro sobre as quais há a indicação de que a "liberação de determinados investimentos dependia de alinhamento político com o ex-chefe do Executivo estadual".
O despacho de Mendonça autorizando a operação cita trechos da representação da Polícia Federal pedindo as medidas e do parecer da PGR, que concordou com as buscas. As íntegras dos documentos, que reúnem todas as provas da investigação, no entanto, ainda estão sob sigilo.
O advogado do ex-governador do Rio, Carlo Luchione, informou que acompanhou as buscas no apartamento de Castro, mas ainda não teve acesso à decisão de Mendonça.