A Polícia Federal afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro enviou projetos de lei ao gabinete do senador Ciro Nogueira (PP-PI) numa prática que os investigadores chamaram de "convergência de interesses ilícitos, orientada pelo benefício mútuo". A influência de Vorcaro no Congresso tinha como pano de fundo o interesse em medidas que poderiam impactar seus negócios, como uma emenda que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) a investidores, uma proposta que regulamentava o mercado de carbono no Brasil e outra que tratava sobre transição energética - mercados de interesse de Vorcaro.
"De um lado, CIRO NOGUEIRA LIMA FILHO atuaria no âmbito do Senado Federal, valendo-se de sua posição institucional para exercer influência política e defender os interesses do banqueiro. De outro, VORCARO ofereceria vantagens indevidas, materializadas, entre outras formas, no pagamento periódico de valores (“mesada”), na aquisição de participações societárias com expressivo deságio, bem como no custeio de viagens internacionais de elevado padrão e outros benefícios econômicos", diz a representação da PF, cujo sigilo foi retirado nesta terça-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.
A proposta, que não chegou a ser aprovada, beneficiaria o Master, já que uma das principais estratégias do banco para alavancar os seus investimentos se dava na captação de recursos dos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) com a garantia de cobertura do FGC.
Segundo a PF, uma das principais provas é que Vorcaro enviou um envelope a endereço residencial de Ciro com o texto da emenda sobre o FGC, que previa aumentar o limite de cobertura do fundo dos atuais R$ 250 milhões para R$ 1 milhão. A medida foi apresentada por Ciro como um apenso em uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tratava da autonomia financeira do Banco Central (BC).
"Saiu exatamente como eu mandei", comentou Vorcaro com um interlocutor após a proposta ser protocolada pelo parlamentar.
"A referida proposta, conhecida como 'Emenda Master', conforme denominação atribuída por agentes do mercado financeiro, mostrava-se potencialmente capaz de ampliar de maneira exponencial os negócios do referido banqueiro", concluiu a PF.