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PF faz operação que mira suspeita de fraudes do Master em fundo de previdência de Alagoas

PF faz operação que mira suspeita de fraudes do Master em fundo de previdência de Alagoas

A Polícia Federal deflagrou uma operação nesta segunda-feira para investigar um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev). Os agentes cumpriram oito mandados de busca e apreensão em endereços de ex-dirigentes do instituto e pessoas ligadas a uma consultoria que intermediou as aplicações financeiras .

As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e integram a Operação Compliance Zero, que apura supostas irregularidades praticadas pelo Master em fundos de previdência estaduais e municipais e as relações políticas do dono do banco, Daniel Vorcaro, que possibilitaram o funcionamento do esquema.

A investigação de hoje tem como objeto dois investimentos feitos pelo Iprev em letras financeiras emitidas pelo Master, em 2023 e 2024. O total dos aportes foi de R$ 97 milhões - um de R$ 80 milhões e outro de R$ 17 milhões.

A PF quer "esclarecer as circunstâncias do processo de credenciamento, de cotação, de análise de risco, de governança e de tomada de decisão que antecederam os investimentos", segundo nota divulgada pela corporação. A operação apura a possível prática dos crimes de gestão fraudulenta, "sem prejuízo da apuração de outros delitos conexos", diz o texto.

Na decisão, Mendonça também determinou o bloqueio de bens dos alvos, além dos mandados de busca.

Segundo as investigações, não havia justificativa técnica para os investimentos e a entidade ignorou as próprias diretrizes ao aprovar as operações financeiras consideradas de "risco elevado" e "liquidez reduzida". No entendimento da PF, houve ainda "supressão de etapas essenciais de governança", ausência de estudos técnicos "robustos" e "possível direcionamento" dos investimentos.

"Como elemento de reforço à suspeita de gestão fraudulenta, a representação destaca que o credenciamento do Banco Master perante o IPREV teria sido meramente formal, com aproveitamento de material promocional do próprio emissor e sem diligência substancial sobre solidez patrimonial, histórico operacional, riscos reputacionais ou processos sancionadores", escreveu Mendonça, na decisão, citando as conclusões da PF.

Os investigadores ainda destacaram que o Master não integrava a "lista exaustiva" do Ministério da Previdência Social de instituições aptas para administrar recursos do segmento. A instituição foi incluída na lista depois do primeiro aporte de R$ 80 milhões.

"A documentação descrita pela Polícia Federal sugere procedimento genérico, baseado em material do próprio Banco Master, e participação relevante da consultoria contratada. A circunstância de o emissor não constar da “lista exaustiva” elaborada pelo Ministério da Previdência na data do primeiro aporte, se confirmada, reforça a necessidade de identificar quem conhecia a limitação, quem decidiu prosseguir e como foram produzidos os documentos de conformidade", acrescentou Mendonça.

Em nota, o Maceió Previdência afirmou que "vem colaborando, desde o início, com as investigações, prestando todos os esclarecimentos e fornecendo as informações pelas autoridades competentes".

"O Instituto reforça que os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis e destaca que seu patrimônio cresceu de aproximadamente R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, garantindo a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas", diz o texto.