A Procuradoria-Geral da República deu parecer favorável à redução da pena do mecânico Antônio Cláudio Alves Ferreira, um dos condenados pelos atos golpistas do 8 de janeiro, em razão de ele ter concluído o ensino médio, através da aprovação no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos. Segundo o órgão, a pena de Ferreira, fixada em 17 anos de prisão, deve ser diminuída em 133 dias, o equivalente a cerca de quatro meses.
A manifestação foi apresentada pelo procurador-geral da República Paulo Gonet ao ministro Alexandre de Moraes nesta quarta. O PGR emitiu o parecer após a Secretaria da Vara de Execuções Penais da Comarca de Uberlândia, onde Antônio cumpre pena, enviar a documentação que informava que o mecânico havia concluído o ENCCEJA 2025.
Segundo Gonet, Ferreira foi aprovado no exame em quatro áreas de conhecimento, incluindo a redação. Assim, tem direito à remição da pena em 133 dias. A pena inicial do mecânico já havia sido reduzida outras duas três vezes, em um total de 306 dias, em razão do trabalho e da leitura de livros. Assim, caso a remição seja homologada por Moraes, o mecânico terá conseguido uma remição de 436 dias ao todo, o equivalente a um ano e dois meses.
Para diminuir o tempo no cárcere, Ferreira leu livros como “Memórias de Um Sargento de Milícias”; “Uma História de Amor”; “Laranja da China"; “As cores da escuridão”; “A ajuda do sistema solar”; “O forte dos esqueletos” e “Zezinho, o dono da porquinha preta”. Além disso, o mecânico também obteve a redução de pena por aprovação no ENCCEJA 2024.
Ferreira foi condenado a 17 anos de prisão por sua participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 – incluindo a destruição do relógio histórico francês de Balthazar Martinot, presente a Dom João VI e integrante do acervo do Palácio do Planalto. Ele cumpre pena no presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia, interior de Minas Gerais.
Antes e depois do 8 de janeiro: veja imagens do interior das sedes dos três Poderes

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Restauradora recupera obra "Justiça", danificada por vândalos — Foto: Paula Ferreira

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Busto de Rui Barbosa no Supremo Tribunal Federal antes dos atos terroristas — Foto: Reprodução/STF

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Busto de Rui Barbosa no Supremo após os ataques. Foto tirada na abertura do ano judiciário — Foto: Míriam Leitão

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Memorial do Supremo dos ataques do dia 8 de janeiro — Foto: Míriam Leitão

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Supremo fez memorial para lembrar os ataques de 8 de janeiro — Foto: Míriam Leitão

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Plenário do Supremo destruído por golpistas em 8 de janeiro — Foto: Rosinei Coutinho/STF

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Plenário do Supremo reconstruído após os ataques de 8 de janeiro na abertura do ano do Judiciário — Foto: Míriam Leitão

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Móveis foram destruídos por radicais durante ataque ao Senado no dia 8 de janeiro — Foto: Reprodução

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Radicais destruíram equipamentos de segurança e de informática durante ataque terrorista ao Senado — Foto: Reprodução

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Radicais picharam a cúpula do Senado Federal em ato terrorista de 8 de janeiro — Foto: Reprodução

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Retratos de ex-presidentes do Senado foram rasgados por radicais em atos terroristas de 8 de janeiro — Foto: Reprodução

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Funcionários fazem limpeza no Senado Federal após atos golpistas — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

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O restaurador Nonato Nascimento diante da tela "Trigal na Serra", de Guido Mondin: obra de arte foi encharcada e arranhada por terroristas em Brasília — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

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Plenário do Senado durante a posse de senadores de eleição da Mesa Diretora na abertura do ano do Legislativo — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

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O quadro "As Mulatas", de Di Cavalcanti, danificado durante ação terrorista no Palácio do Planalto — Foto: Reprodução da internet

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Tela "As Mulatas", de Di Cavalcanti, no terceiro andar do Palácio do Planalto, antes de ser depredada por terroristas — Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

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Relógio raro foi destruído por terroristas que invadiram o Palácio do Planalto — Foto: Reprodução
O mecânico chegou a ser solto no início de junho de 2025, depois que o juiz Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro, da Vara de Execuções Penais da cidade mineira, autorizou a progressão para o regime semiaberto, com base em bom comportamento e cumprimento de fração da pena. A decisão, contudo, foi considerada ilegal pelo STF, que reafirmou que juízes de primeira instância não têm competência para decidir sobre regime prisional de condenados nas ações penais do 8 de janeiro sem autorização da Corte
Em 20 de junho de 2025, a Polícia Federal prendeu novamente Ferreira em Catalão, cidade no interior de Goiás, após a revogação da decisão por Moraes. O relator apontou que o condenado não havia cumprido o requisito mínimo de 25% da pena, que é exigido para progressão de regime em crimes com violência ou grave ameaça, e que apenas o STF poderia autorizar qualquer alteração na execução penal desse caso.