A histórica derrota do governo na indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) contou com uma votação que vai além do tamanho da oposição na Casa, o que fez o governo contabilizar possíveis traições, principalmente em partidos como MDB e PP.
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A avaliação é que o movimento começou a ser construído nos dias que antecederam a votação e se intensificou na véspera da sabatina, quando veio a público o encontro reservado entre Messias e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apontando como principal articulador da derrota imposta ao governo.
No PP, interlocutores do Planalto afirmam que a inflexão decisiva ocorreu no dia da votação, quando Alcolumbre passou a atuar diretamente e teria conseguido consolidar a maior parte da bancada, que soma sete votos.
O movimento teria incluído o senador Ciro Nogueira (PI), que havia declarado apoio a Messias, mas permaneceu ao lado do presidente do Senado durante praticamente toda a sessão — gesto interpretado como alinhamento à articulação.
Já no MDB, a leitura no Planalto é que a articulação encontrou eco em uma dissidência organizada dentro da bancada.
Integrantes do governo avaliam que Alcolumbre também teve papel relevante na consolidação desses votos, ao explorar insatisfações pré-existentes com a escolha feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e interesses cruzados na disputa pela vaga no Supremo.
Messias teve apenas 34 votos a seu favor, em votação secreta, sete a menos do que o necessário para virar ministro do STF. O núcleo mais alinhado ideologicamente ao governo, formado por senadores do PT, PDT e PSB, reúne 18 votos. Outros 13 haviam declarado ser a favor da indicação de Messias antes da votação, mas no governo não há certeza sobre a fidelidade desses parlamentares.
O grupo de senadores favoráveis era composto por sete senadores da bancada do MDB (Alessandro Vieira, Confúcio Moura, Eduardo Braga, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Renan Filho e Veneziano Vital do Rêgo), quatro senadores do PSD (Carlos Fávaro, Eliziane Gama, Lucas Barreto e Otto Alencar), além de Ciro Nogueira, do PP, e Dra. Eudócia, do PSDB.
Na hipótese de que todos esses parlamentares tivessem cumprido a palavra, o placar chegaria a 31 votos. Mas o governo avalia um cenário mais complexo, com adesão de outros indecisos e traições de senadores em tese mais próximos.
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Sem o voto aberto para conferir as manifestações, parlamentares de oposição teriam, em tese, garantidos os votos de todos os 16 senadores do PL, além de outros 11 senadores que declaram voto contrário a Messias antes da votação, como cinco senadores do Republicanos, e Carlos Viana e Mara Gabrilli do PSD.
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O grupo de 21 senadores que estava em disputa inclui desde parlamentares notadamente oposicionistas, mas que não se pronunciaram, mas também congressistas considerados próximos ao governo.
Um levantamento do GLOBO com base nas 23 votações nominais realizadas nessa legislatura no Senado em que houve orientação oposta entre governo e oposição revela que pelo menos 5 senadores costumam votar com o governo em mais da metade das votações: Zenaide Maia, Fernando Dueire e Omar Aziz, do PSD, além da professora Dorinha Seabra, do União e de Marcelo Castro, do MDB.
Em votação secreta, porém, não é possível atestar esse alinhamento.
Quatro senadores ouvidos pelo GLOBO, sob reserva, relataram que Alcolumbre entrou em contato com parlamentares de centro, oposição e indecisos ao longo do dia, pedindo voto contrário a Messias e estimulando que esses senadores também buscassem convencer outros colegas.
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Procurada, a assessoria do presidente do Senado negou veementemente que ele tenha pedido votos contra Messias.
A indicação de Messias foi marcada, desde o início, por uma divergência entre o governo e Alcolumbre. O presidente do Senado defendia o nome de Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga e se afastou do Planalto após a escolha.
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Apesar disso, publicamente, o senador vinha adotando discurso de neutralidade, afirmando que garantiria apenas o rito da tramitação. A rejeição de Messias é vista por aliados do governo como uma crise sem precedentes. O governo, no entanto, ainda calcula o tom da reação. Alcolumbre mantém indicados no Executivo e uma ala próxima a Lula defende um rompimento. Outro grupo, no entanto, avalia que o momento pede cautela antes de uma decisão.
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