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Planalto cobra assessor sobre relação com Roberta Luchsinger após desgaste com caso Marcola

Planalto cobra assessor sobre relação com Roberta Luchsinger após desgaste com caso Marcola

Pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva procuraram o assessor Swedenberger Barbosa, o Berger, atualmente lotado no gabinete presidencial, para questioná-lo sobre eventual envolvimento com a empresária Roberta Luchsinger, pivô da crise que afastou o ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, da campanha à reeleição do petista. O Palácio do Planalto tenta mapear as relações da amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e antever crises após a revelação de que Roberta fez pagamentos a Marcola. Como mostrou o colunista Lauro Jardim, as investigações da Polícia Federal sobre a circulação de Roberta no governo chegaram a pelo menos mais um nome no Palácio do Planalto a quem ela "emprestava" dinheiro.


A preocupação no entorno do presidente se deu pelo fato de Berger ter se reunido com a empresária quando ocupava o cargo de secretário-executivo do Ministério da Saúde e ter sido mencionado em mensagens trocadas pela empresária com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

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Roberta é apontada pela Polícia Federal como lobista e amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Investigações autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) apuram suspeitas de que o primogênito do petista tenha cometido tráfico de influência em órgãos do governo.

Interlocutores do presidente perguntaram diretamente a Berger se ele tinha envolvimento com a empresária ou se poderiam revisitar revelações que prejudicassem o governo. De acordo com esses auxiliares, Berger negou.

De acordo com o relato, o assessor afirmou na conversa que não deu nenhuma vantagem no governo à empresária. E citou que a principal demanda dela, envolvendo uma empresa do Careca do INSS de cannabis medicinal, não foi para frente. Procurado, Berger não se manifestou.

O Planalto considerou afastar Berger se ele tivesse admitido alguma relação com a empresária. Como dona de uma consultoria, Luchsinger percorria a Esplanada dos Ministérios e órgãos públicos representando empresas que tinham interesse em fechar contratos públicos. Há registros de oito agendas dela no Palácio do Planalto e pelo menos 32 visitas a gabinetes dos ministérios da Saúde, Desenvolvimento Social e no BNDES, entre outros locais, no período de 2023 a 2025. O jornal O Estado de S. Paulo mostrou que Luchsinger foi ao Ministério da Saúde 16 vezes.

Um dos serviços de consultoria oferecido por ela foi prestado ao Careca do INSS, que chegou a lhe repassar R$ 1,5 milhão em cinco parcelas de cerca de R$ 300 mil pagas entre 2024 e 2025.

Segundo as investigações da PF, Antunes estava tentando fechar um contrato milionário com o Ministério da Saúde para o fornecimento de medicamentos à base de cannabis no Sistema Único de Saúde (SUS). O convênio, contudo, não foi assinado.

O site Metrópoles revelou que Berger era o vínculo de Roberta com o Ministério da Saúde, na época em que trabalhava na pasta. O site também mostrou que 6 de novembro de 2024, Careca do INSS encaminha uma mensagem a um contato dizendo: “Berger já está com aquela orientação em mãos”, diz o texto repassado pelo lobista.

Preocupação

Após a abertura de três inquéritos para apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha e a revelação de que Roberta fez repasses a Marcola, o entorno presidencial tem buscado se antecipar a eventuais novas crises relacionadas ao caso e monitora vínculos de Luchsinger com integrantes do governo e especialmente nomes próximos a Lula. De acordo com um auxiliar de Lula, o foco nesse momento está voltado a Berge, mas há preocupação maior, já que a PF segue averiguando mensagens no celular de Luchsinger, de como revelações poderão impactar na campanha à reeleição de Lula. A empresária era próxima de petistas e integrantes do governo e chegou a ser candidata a deputada estadual em São Paulo pelo PT em 2018.

Além da relação de amizade de Roberta com Lulinha, Marcola admitiu ter recebido repasses da empresária a título de um empréstimo pessoal. Em nota, ele disse que pagou R$ 249 mil a ela, mas sem dizer se esse era o valor total do que havia recebido. Chefe de gabinete de Lula entre 2023 e 21 de julho, ele deixou a coordenação da campanha na semana passada para se dedicar à sua defesa.

Berger, por sua vez, ocupa a chefia do Gabinete Adjunto de Gestão Interna, cargo que integra o Gabinete Pessoal da Presidência da República. Antes, foi secretário-executivo do Ministério da Saúde, na gestão da ministra Nísia Trindade. Berger passou a ocupar uma posição no Palácio do Planalto a convite de Lula, a partir de março de 2025. Berger trabalhou com Lula na Presidência da República no primeiro e segundo mandatos do petista.

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