Contrário ao senador Sergio Moro (PL-PR), o ex-deputado estadual Tony Garcia (PR) acusou o ex-juiz da Lava-Jato de ter "corrompido" o seu partido, Democracia Cristã, para que ele não saia candidato ao governo estadual. Em uma publicação feita nas redes sociais, Garcia afirmou que o comando da sigla havia sido cooptado por aliados do parlamentar para que fosse declarado apoio a Moro na disputa eleitoral deste ano. Ao GLOBO, por meio de manifestação enviada por sua assessoria, o senador se referiu a Garcia como um "personagem folclórico".
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A relação entre o ex-deputado e o parlamentar é de atritos desde 2004, quando Garcia foi acusado de gestão fraudulenta de uma administradora de consórcios, denominada Consórcio Garibaldi, e foi preso por Moro, na época ainda como juiz. Já em 2021, Garcia afirmou que foi obrigado por Moro a gravar autoridades clandestinamente no âmbito da operação Lava-Jato, acusação negada pelo senador posteriormente.
Garcia planejava se lançar ao governo do Paraná neste ano para bater de frente diretamente com Moro, porém, nos últimos dias, a cúpula do DC passou a sinalizar que abriria mão da candidatura própria e apoiaria o senador. A mudança de posicionamento veio depois do comando nacional da sigla destituir a comissão provisória que liderava a legenda no estado, tirando do comando o ex-deputado Ricardo Comyde. No lugar dele, a prefeita de Clevelândia, Rafaela Losi, assumiu o diretório estadual.
Em um post feito no X nesta terça-feira, Garcia acusa Moro de ter usado Losi como "laranja" ao interferir na nomeação dela para o comando da legenda no estado e na indicação de Fabio Bento Aguayo como primeiro secretário.
Ao GLOBO, o ex-deputado relatou que também protocolou um mandado de segurança no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exigindo a restituição da comissão provisória que comandava o paritido, argumentando que dissolução foi feita pela direção nacional "sem qualquer prévia comunicação". "Não lhes foi dada ciência de eventual imputação, irregularidade ou motivo que justificasse a substituição da direção estadual, tampouco lhes foi assegurada oportunidade para manifestação ou apresentação de defesa", diz a petição.
Na denúncia feita no X, Garcia também afirmou que, antes disso, o senador teria mandado seu marqueteiro, Marcelo Cattani, procurar Gomyde, então presidente do DC no estado, para "cooptá-lo a vender" a candidatura do partido ao governo paranaense. Na publicação, o ex-deputado escreve que o aliado do senador teria "ameaçado retaliação" contra o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), caso ele não intercedesse para tirá-lo da disputa.
"Moro continua a praticar crimes em série, muitos desses já comprovados pela Polícia Federal em denúncias que fiz ao Supremo Tribunal Federal", também disse Garcia na publicação. Ele também classificou a decisão tomada pelo comando nacional do DC, presidido por João Caldas, como uma "traição imperdoável".
Recentemente, a sigla também desistiu do lançamento da candidatura presidencial de Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF, em meio às dificuldades para fechar alianças, obter recursos e estruturar uma campanha nacional.
Procurada, a assessoria de Moro respondeu que ele "não comenta ilações de um personagem folclórico que surge em períodos eleitorais e que já foi condenado pelo TRF 4 com trânsito em julgado por roubar pessoas de bem através do Consórcio Garibaldi. Além do DC, o senador tem trabalhado para atrair o apoio do Podemos, seu antigo partido, do qual saiu em 2022, ano em que vislumbrava concorrer à Presidência.
- Sergio Moro