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PSOL classifica crítica de Tabata a Boulos como ‘deselegante’, mas episódio não afeta costuras partidárias

PSOL classifica crítica de Tabata a Boulos como ‘deselegante’, mas episódio não afeta costuras partidárias

Interlocutores do ministro Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência, avaliam que o atrito público com Tabata Amaral (PSB) foi uma estratégia da deputada para se posicionar ao centro e se distanciar da esquerda na disputa em São Paulo. Apesar de envolver dois expoentes da base do presidente Lula, aliados de Boulos minimizaram o episódio e afirmaram que os acordos eleitorais estão mantidos.

Tabata publicou, ontem, um vídeo nas redes sociais em que critica os cinco deputados mais votados na eleição passada. Candidata à reeleição pelo partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, ela sustenta que “não é normal” ter aprovado mais projetos sozinha do que aquele grupo somado e que a população recebe “migalhas” em retorno ao voto. Além de Boulos, que contabiliza cinco matérias aprovadas, aparecem na lista os deputados bolsonaristas Nikolas Ferreira (PL-MG), Ricardo Salles (Novo-SP), Carla Zambelli (PL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Boulos deu uma resposta dura, na avaliação dos próprios correligionários, ao que consideram uma postura “deselegante” da deputada. O ministro, que integra a coordenação de campanha de Lula, publicou nas redes sociais que o vídeo de Tabata era “lamentável para alguém do campo progressista” e disse que teria “vergonha” de duas de suas decisões políticas: o voto a favor da reforma da Previdência do governo Bolsonaro e a autoria de um projeto de lei “que criminaliza as críticas ao genocídio de Israel na Faixa de Gaza”, em referência a uma proposta de Tabata para definir o que é antissemitismo e equipará-lo ao crime de racismo no Brasil.

Uma pessoa próxima de Boulos, com trânsito na campanha de São Paulo, interpreta o movimento de Tabata como uma “besteira de campanha”, que se resume à tentativa de ganhar terreno nas eleições à Câmara dos Deputados, da qual o ministro não participa. A parlamentar estaria adotando, deste modo, uma “lógica neoliberal” para avaliar o mandato do psolista, ao resumir a atuação parlamentar a uma eficiência na aprovação de projetos. Essa mesma fonte considera um erro de estratégia, por restringir o seu público-alvo a “10% dos votos” mais de centro. Boulos e Tabata disputaram a prefeitura de São Paulo, em 2024, mas sem entrar em conflito aberto.

Outra figura que tem canal direto com a presidente do PSOL, Paula Coradi, afirma que a costura estadual, em que a esquerda levará às urnas uma coligação entre PT/PV/PCdoB, PSOL/Rede, PSB e PDT, liderada pelo pré-candidato ao governo e ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), não passou diretamente nem por Boulos, nem por Tabata. E que a própria distribuição das vagas, que exigiu uma intervenção do presidente Lula, em Brasília, teve uma negociação sólida em São Paulo, indiferente aos desdobramentos do caso.

O mesmo foi dito por um dirigente do PSB, que encara o atrito como algo “pontual”. Tabata é uma das principais entusiastas da candidatura de Simone Tebet (PSB) ao Senado e participou ativamente das negociações com a ex-ministra do Planejamento para troca de domicílio eleitoral, de Mato Grosso do Sul para São Paulo. O PSOL, por sua vez, faz campanha por Marina Silva (Rede), ex-ministra do Meio Ambiente, ao Senado. O empenho dos aliados será colocado à prova nas convenções partidárias, quando um evento conjunto oficializa a chapa de Haddad e do vice, Márcio França.