O diretório fluminense do Partido dos Trabalhadores (PT) confirmou a composição da chapa para as eleições de outubro e declarou apoio a Eduardo Paes (PSD-RJ) na corrida ao Palácio Guanabara. Por unanimidade, a legenda aprovou o ex-prefeito do Rio como principal palanque no estado para a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição.
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Durante a reunião, o PT do Rio debateu o modelo de escolha da chefia do Executivo estadual após a renúncia do ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ), no mês passado, e a cassação do mandato dele e do então presidente afastado da Assembleia Legislativa (Alerj) Rodrigo Bacellar (União Brasil-RJ) — o vice eleito Thiago Pampolha saiu da linha de sucessão ao se tornar conselheiro do Tribunal de Contas (TCE), o que ajudou a consolidar a situação de dupla vacância no comando fluminense.
Por unanimidade, o partido definiu que a realização de eleições diretas é "a alternativa mais adequada" para o mandato-tampão, até a escolha de um novo governador, por "assegurar a participação popular e o pleno respeito aos princípios democráticos". "Somente o povo pode definir o melhor rumo para o Estado do Rio de Janeiro", afirmou o PT do Rio, em nota publicada nas redes sociais.
Nesta sexta-feira, após uma primeira eleição ser anulada na Justiça, a Alerj elegeu novamente o deputado Douglas Ruas (PL-RJ) — que deve ser o principal oponente de Paes na corrida ao governo — como novo presidente da Casa legislativa. Após a vitória, começou um movimento para tentar destravar uma eventual posse dele como governador, posto ocupado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça estadual.
O grupo político do ex-prefeito do Rio tenta evitar que o adversário, apoiado pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tome o controle da máquina pública fluminense e encabeça a defesa pública por eleições diretas para o mandato-tampão. A decisão final sobre o modelo de votação caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF), cujo julgamento está pausado por pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Em reunião neste sábado, também por unanimidade, o PTRJ anunciou a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) como titular da chapa ao Senado, com o líder do PT na Câmara Municipal, Felipe Pires, e o pastor e cantor Kleber Lucas como primeiro e segundo suplentes, respectivamente.
Em fevereiro, como mostrou o GLOBO, o PT escalou Benedita da Silva para gravar um vídeo em defesa da "família", numa iniciativa para tentar contornar as críticas recebidas por Lula por ocasião do desfile da Acadêmicos de Niterói em sua homenagem no carnaval carioca. Partidos e parlamentares, sobretudo os ligados a evangélicos (um dos segmentos mais refratários ao petista), passaram a explorar nas redes sociais imagens de uma das últimas alas da agremiação, a “Neoconservadores em conserva”, que trazia parentes dentro de latas, algumas com adereço com referência religiosa.
No vídeo, Benedita se colocou como "mulher de fé" e afirmou ter orgulho de ser "evangélica há mais de 60 anos". A deputada criticou a direita por, segundo ela, plantar "medo, divisão e mentiras" e citou iniciativas do governo federal, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e programas de distribuição de renda e de incentivos à saúde e à educação públicas.

Em nota, o PTRJ destacou que o apoio a Benedita e aos suplentes "reflete um processo de construção coletiva e o compromisso do partido com a unidade em torno de um projeto" para o Rio.
"Com definição da chapa ao Senado, posicionamento sobre o cenário político do Rio e encaminhamentos importantes para a comunicação partidária, seguimos firmes, com unidade e direção, construindo o caminho para continuar mudando o Brasil", diz postagem da sigla no Instagram.
A legenda diz que voltará a se reunir em 23 de maio, no Encontro Estadual do PT, para dar "continuidade ao processo de organização e definição das táticas eleitorais", com vistas a um projeto democrático para o Rio e à reeleição de Lula.