O vereador Tico Kuzma (PSD), presidente da Câmara de Curitiba, foi alvo de uma operação deflagrada nesta segunda-feira que apura a possível prática de venda de cargos públicos e do crime de "rachadinha". Ao todo, a ação comandada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP-PR), cumpriu 13 mandados de busca e apreensão.
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A operação Prática Corrente cumpriu diligências no gabinete de Kuzma. Foram apreendidos documentos e equipamentos eletrônicos. Os materiais, segundo o MP, será periciado e "poderão auxiliar na continuidade das investigações". Além disso, também foi apreendida uma quantia de dinheiro em espécie.
As investigações começaram no ano passado e apontam que o vereador teria cobrado cerca de R$ 3 mil para indicar nomes para cargos públicos da Câmara. Em troca da nomeação, o parlamentar também teria pedido a devolução de parte do salário dos servidores, conforme informações do portal de notícias g1.

Quem é o vereador
Kuzma integra a base política do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD). Ambos são da mesma sigla do governador Ratinho Júnior. O vereador está em seu sexto mandato consecutivo, sendo eleito pela primeira vez em 2004.
No site oficial da Câmara, o vereador se define como "autodeclarado de centro-direita", e afirma ser "participante ativo de grupo de jovens na igreja", casado e defensor da causa animal.
Em sessão realizada ontem, Kuzma atribuiu a operação ao ano eleitoral, alegando a tentativa de criar "fatos e narrativas" para desgastar adversários políticos. Ele também chegou a afirmar não ter conhecimento formal da ação policial, além de ressaltar que irá se informar sobre o teor da investigação.
— Como presidente da Câmara Municipal de Curitiba, faço questão de reforçar que a instituição permanece à disposição para colaborar com tudo que for necessário, com responsabilidade, transparência e respeito às autoridades — declarou. — Quem vive a vida pública sabe que, especialmente quando se aproxima um período eleitoral, infelizmente surgem pessoas de má-fé, criando fatos e narrativas para atingir reputações e desgastar adversários por meio de redes sociais e também da imprensa. Me orgulho da minha trajetória, da minha fé e dos meus valores cristãos — disse em outro momento.
Em nota pública, a Câmara Municipal de Curitiba afirmou que autorizou o acesso às dependências da Casa "em atendimento à solicitação da autoridade competente" e que permanece à disposição para colaborar com as investigações.
Já a Prefeitura da capital paranaense, em comunicado enviado ao g1, declarou que as nomeações para cargos no Poder Executivo seguem "critérios técnicos e administrativos", sem que haja tolerância com atos que "desvirtuem" tal processo.
"Confirmada qualquer irregularidade envolvendo servidores municipais, a Prefeitura determinará o imediato afastamento dos envolvidos e adotará todas as medidas administrativas e legais cabíveis, com absoluto rigor e respeito ao devido processo legal", diz a nota.