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Rogério Marinho tenta reforçar pontes com STF e deve dizer a Fachin que não haverá ‘clima de vingança’ em eventual governo Flávio

Rogério Marinho tenta reforçar pontes com STF e deve dizer a Fachin que não haverá ‘clima de vingança’ em eventual governo Flávio

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, tem reforçado pontes com o Supremo Tribunal Federal (STF) de olho em um eventual governo do candidato do PL. A mensagem levada pelo senador é a de que “não haverá clima de vingança” em caso de vitória de Flávio, embora a interlocução não represente uma trégua nas críticas a integrantes da Corte nem retire do horizonte a possibilidade de impeachment de ministros.

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A movimentação foi iniciada antes mesmo do primeiro turno, quando o cenário de uma vitória do PL ainda era incerto. Desde então, Marinho passou a procurar ministros individualmente e já conversou com Gilmar Mendes, Luiz Fux, Cristiano Zanin, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Edson Fachin, com quem voltou a se reunir nesta terça-feira. O senador também tentou marcar uma audiência com Cármen Lúcia, mas a ministra não deverá recebê-lo.

A interlocução ganhou outro peso depois das urnas. Com Flávio passando ao segundo turno com dois pontos de vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o PL fortalecido no Congresso, aliados já começam a discutir como seria a relação de um eventual governo com os demais Poderes. Nesse desenho, Marinho tem funcionado como um dos principais interlocutores com o Supremo e tenta estabelecer um canal que sobreviva aos embates acumulados entre o bolsonarismo e a Corte.

A conversa com Fachin, no entanto, deixou mais claros os limites dessa aproximação. Marinho afirmou ao presidente do Supremo que o grupo não tem “espírito de vendetta”, mas levou também o recado de que o Senado não deverá ser “omisso” caso haja suspeita de crime de responsabilidade de ministros. Segundo o senador, a Casa tem falhado atualmente ao não analisar pedidos contra integrantes da Corte.

— A Constituição é clara. Separação de Poderes é elemento basilar da República. Mas não existe poder absoluto. Indício de crime, cometido por quem quer que seja, não pode ser acobertado pelo corporativismo. Não defendemos a omissão, defendemos o cumprimento da Constituição. Se crimes de responsabilidade foram cometidos, eles têm que ser investigados — afirmou Marinho.

A sinalização ocorre em meio ao fortalecimento do PL no Senado, onde o partido ampliou sua bancada para 28 parlamentares. O resultado também colocou Marinho entre os nomes cotados para disputar o comando da Casa, responsável por processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade.

Ao mesmo tempo, a construção de canais pode avançar até sobre ministros que concentram as principais críticas do bolsonarismo. Marinho afirmou que não descarta conversar com Alexandre de Moraes e Flávio Dino depois das eleições. A ideia é separar a interlocução institucional com a Corte da avaliação sobre decisões e eventuais responsabilidades individuais de seus integrantes.

O tom adotado nesta terça representa uma calibragem em relação à véspera. Na segunda-feira, questionado sobre a possibilidade de a campanha encampar no segundo turno a defesa do impeachment de ministros do STF, Marinho havia evitado aderir diretamente à proposta, embora atribuísse a integrantes do próprio tribunal a responsabilidade pela tensão com o bolsonarismo.

— Primeiro, é lamentável que o Brasil, neste momento em que ele se encontra, com todos os problemas que nós temos e com todos os desafios que estão na nossa frente, esteja discutindo o Supremo Tribunal Federal. Isso acontece porque alguns dos seus integrantes se colocaram no centro do palco político — afirmou.

Horas antes de se reunir com Fachin, Marinho também havia dito nas redes sociais que o “Supremo precisa deixar de ser uma delegacia de polícia”. A combinação entre a abertura de canais e a manutenção das cobranças passou a orientar a interlocução do coordenador da campanha com a Corte.

A promessa de que um eventual governo não promoverá retaliações também não é nova no discurso de Flávio. No 7 de Setembro, em meio ao período de maior tensão da campanha com o Judiciário, o candidato afastou a possibilidade de usar a Presidência para retaliar integrantes do tribunal e ressaltou que cabe ao Senado decidir sobre eventuais processos de impeachment.

— Jamais usaria a caneta para fazer vingança. Impeachment é com o Senado. O Supremo não precisa ter medo. […] O Supremo tem que respeitar a Constituição. […] Da minha parte, não vai ter vingança — afirmou Flávio.

Depois da reunião no Supremo, Marinho seguiu com Flávio para Goiânia, onde o candidato recebe o apoio de Ronaldo Caiado (PSD), de Daniel Vilela (MDB) e de outras lideranças políticas de Goiás.

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