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'Se eu não estiver no comando, irei embora no outro dia', afirma Milton Leite após racha entre União Brasil e PP

'Se eu não estiver no comando, irei embora no outro dia', afirma Milton Leite após racha entre União Brasil e PP

O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, do União Brasil, afirmou nesta segunda-feira (13) que não vê outra possibilidade a não ser a de assumir o comando da federação com o Progressistas (PP) no estado.

A aprovação da junção entre as duas legendas foi homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no fim de março, mas o comando dos estados, em especial São Paulo, ainda é objeto de discussões. Principal liderança paulista do União, Leite não aceita que o deputado Maurício Neves (PP-SP) assuma a direção da federação.

– Imagina o seguinte: você tem uma empresa com 80% das ações no estado de São Paulo, e eles têm 20%. Você aceita ser comandado por 20%? Não, né? Então não há possibilidade de nós sermos comandados pelo senhor Maurício Neves, um acionista minoritário (...) Se eu não estiver no comando, vou embora no outro dia. E se eu não estiver, o que vai ocorrer? Não há credibilidade. Se não houver credibilidade, o prejuízo pela união é imensurável. Porque as pessoas não vão aceitar isso – disse Leite, que chegou a afirmar à Folha de S.Paulo que "implodiria" a federação caso não fosse colocado na direção paulista.

Para o cacique, a discussão atual nem deveria ocorrer, pois o acordo da federação previa, segundo suas palavras, que os estados ficassem com o União.

Nos últimos dias, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, cogitou assumir a junção das duas siglas em São Paulo, como forma de conter a disputa, mas Leite também diz que não aceita.

– Eu até posso discutir isso com ele, mas o Ciro não vai comandar aqui. Ele vai estar preocupado com o estado dele (Piauí). Esse é o problema, entendeu? O Ciro não vai vir aqui, não vai comandar aqui– disse Milton Leite, ao GLOBO.

Para Ciro Nogueira, que evitou criticar Leite ao ser questionado sobre a questão da "implosão", a questão será tratada pela direção nacional da federação.

– Olha, essa é uma discussão que será tomada pela executiva nacional, tanto eu quanto o presidente [Antonio] Rueda iremos, no momento correto, tomar essa decisão, visando o que é melhor para a federação. Existem, lógico, sempre as disputas regionais, mas os estados polos, como São Paulo, Minas, Rio de Janeiro, ficaram para que haja um critério da executiva nacional. No momento correto nós vamos fazer isso – disse Ciro, que evitou falar se seu nome seria o escolhido.

O deputado federal Maurício Neves, aliado de Nogueira e alvo das críticas de Milton Leite, afirma que o senador deverá assumir a federação, sim.

– Acho estranha essas falas do Milton Leite, pois, se ele tivesse conversado comigo, a gente estaria alinhado, ficaria mais forte, ambos os partidos, né? O Ciro vem para ser o amortecedor, o cara que vai equacionar isso, que vai pacificar. Um cara mais sereno e equilibrado que o Ciro não existe, entendeu? Ele que vai presidir [a federação em São Paulo], mas com o intuito também de nós discutirmos juntos – afirmou o parlamentar.

A federação funciona como uma aliança formal entre partidos, que passam a atuar como uma única sigla por, no mínimo, quatro anos, compartilhando candidaturas, tempo de TV e recursos do fundo eleitoral. Juntas, as duas siglas reúnem a maior bancada da Câmara dos Deputados.

No fim da tarde desta segunda (13), o deputado federal Alexandre Leite, filho de Milton Leite e presidente estadual do União Brasil, enviou a seguinte nota:

"O União Brasil de São Paulo manifesta seu veemente repúdio a qualquer articulação que pretenda entregar o comando da futura federação a lideranças alheias à realidade e aos desafios do nosso estado, ainda que ao Senador Ciro Nogueira, a quem temos profundo respeito. A política paulista exige protagonismo local, e não aceitaremos ser governados por procuração. É inaceitável que, após um intenso trabalho de construção partidária e atração de lideranças durante a janela eleitoral, o destino de nossos deputados e pré-candidatos seja tratado como moeda de troca em acordos de cúpula. O União Brasil de São Paulo é maior do que qualquer arranjo de gabinete e não se sujeitará a uma presidência que não tenha raízes no solo paulista. O PP estadual e Nacional precisam entender que parcerias se constroem com diálogo e respeito mútuo, e não por meio de tentativas sorrateiras de extorsão. Não permitiremos que o esforço de nossos parlamentares e candidatos seja colocado a serviço de projetos que ignoram as prioridades de São Paulo. Caso o bom senso não prevaleça, o União Brasil São Paulo levará essa pretensão descabida à Executiva Nacional, e trabalhará para inviabilizar em definitivo qualquer aliança e irradiará instabilidade para todo o projeto eleitoral".