O pré-candidato do PSD a presidente, Ronaldo Caiado, anunciou nesta quarta-feira que o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, será seu candidato a vice-presidente. O anúncio foi feito durante evento do PSD.
— Vou tornar público o indicado a vice-presidente na chapa. O vice-presidente Gilberto Kassab — disse Caiado.
A maior parte dos governadores do PSD se ausentou do evento em que o anúncio foi feito. O único governador representante da sigla foi o de Rondônia, Marcos Rocha. Apesar disso, parte dos parlamentares da sigla, como o líder do partido na Câmara, Antonio Brito (BA), esteve presente.
O governador de Goiás, Daniel Vilella (MDB), e os pré-candidatos do PSD ao governo do Distrito Federal, José Arruda, e ao Senado, Paulo Octávio, também estiveram entre os outros presentes.
Após o evento, Kassab minimizou a falta de endosso de alguns integrantes do partido.
– Alguns poderão se envolver mais, outros menos. Não existe nenhuma crise.
Também em fala após o evento, Caiado elogiou a escolha de Kassab para ser seu colega de chapa.
– Ele é o vice sonhado por qualquer candidato à Presidência da República. Você não vai construir um vice para tirar foto. É uma chapa que realmente vai até o fim da campanha, é uma chapa que tem o respeito de toda a população – declarou.
O pré-candidato do PSD também disse aproveitou o momento para criticar a viabilidade de Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL, na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
– Se realmente nós chegarmos ao segundo turno, nós ganharemos as eleições porque nós teremos os votos dos independentes. Se o Flávio for para o segundo turno, vai fazer o desejo de mais quatro anos do PT, é a realidade, é o que está escrito em todas as pesquisas.
Na segunda-feira, Caiado manteve o suspense ao ser questionado sobre quem ocuparia a vaga de vice, mas sinalizou que a decisão já estava tomada.
— Quarta-feira, em Brasília, vocês vão ver quem será o vice. Nós apresentaremos quem irá compor a nossa chapa. A curiosidade permanece — afirmou.
A definição encerra semanas de negociações dentro do PSD. Embora dirigentes tenham discutido a possibilidade de buscar um nome de outra legenda para ampliar o arco de alianças, ganhou força entre integrantes da cúpula a avaliação de que Kassab reunia mais condições de fortalecer a candidatura neste momento. O PSD enfrentou dificuldades para atrair outros partidos, ainda que tenha tentado uma composição com o MDB, que deve ficar neutro na disputa presidencial.
Também foi avaliada uma composição com a federação União Brasil-PP, mas o grupo de legendas descartou um acordo com Caiado desde o início. Apesar disso uma parte da legenda, como o pré-candidato a governador da Bahia, ACM Neto (União Brasil), acena como um apoio a Caiado no primeiro turno.
A aposta inicial do PSD era ampliar o tempo de televisão, aumentar a estrutura partidária da candidatura e atrair novos aliados antes das convenções.
As dificuldades para costurar uma aliança com União Brasil e PP, somadas à necessidade de fortalecer a candidatura dentro do próprio PSD, levaram Caiado a optar pelo próprio presidente nacional da legenda.
Também pesou o fato de o ex-governador ter ingressado no partido no início do ano no partido, após deixar o União Brasil, o que levou dirigentes históricos a defenderem que a vaga de vice permanecesse com um nome identificado com a história da sigla.
Agora, Kassab terá a missão de tentar contornar os principais desafios da candidatura de Caiado: transformar o apoio formal do PSD em apoio efetivo nos estados.
Desde que foi lançado como presidenciável do partido, o ex-governador enfrenta dificuldades para unificar a legenda em torno de seu projeto nacional. Governadores e pré-candidatos do PSD mantêm alianças regionais com adversários de Caiado, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o que dificulta a construção de um palanque nacional.
O anúncio ocorre em um momento em que Caiado tenta ganhar competitividade na disputa pelo Planalto. Auxiliares do ex-governador avaliam que a definição do vice encerra uma das principais pendências da pré-campanha e permitirá concentrar esforços na consolidação de alianças e na nacionalização da candidatura. Hoje, entre os seis governadores do PSD, Caiado só ganhou o apoio explícito de um: Ratinho Júnior, do Paraná. A bancada do partido na Câmara e no Senado também se divide entre as pré-candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro (PL).