Em um gesto ao ex-secretário de governo Gilberto Kassab, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirmou presença na convenção estadual do PSD, marcada para o próximo dia 26. O partido o apoia em sua tentativa de reeleição, apesar de existirem dúvidas sobre o empenho após o dirigente nacional da sigla ser preterido ao cargo de vice da chapa.
No mesmo dia e local, o PSD realiza a convenção nacional que apresenta oficialmente Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, como candidato à Presidência da República. A campanha de Tarcísio, contudo, informa que o governador deve sair do local antes da chegada de Caiado, por "razões óbvias". O chefe do Executivo paulista tem como candidato ao mesmo cargo o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A informação foi divulgada mais cedo pelo colunista do GLOBO, Lauro Jardim. Há duas semanas, o GLOBO já havia noticiado que o gesto era provável, depois de um café entre Tarcísio e Kassab no Palácio dos Bandeirantes que selou a aliança.
O dirigente do PSD deve apoiar o governador publicamente, nas redes sociais e em santinhos, com a sugestão de dobradinha "Caiado presidente, Tarcísio governador", mas a sua participação em comícios é incerta, principalmente quando houver possibilidade de encontrar Flávio.
Kassab será o número dois da chapa de Caiado, que patina nas pesquisas eleitorais e tenta se posicionar no segundo turno contra Lula (PT) ao questionar a viabilidade de Flávio. Nesta quinta-feira (16), o goiano criticou a postura do filho de Bolsonaro no tarifaço anunciado pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras.
Caiado já demonstrou proximidade com o bolsonarismo e compareceu a manifestações na Avenida Paulista em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre atualmente prisão domiciliar pela condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de estado. Agora, tenta se desvencilhar dessa imagem, sob a leitura de que precisa fidelizar votos na direita moderada para ser competitivo.
Sem convite a Ramuth
Outros candidatos do grupo de Tarcísio devem comparecer à convenção do PSD, como Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) — mas não Felício Ramuth, que trocou o partido este ano pelo MDB para se consolidar como opção de vice-governador. Segundo apurou o GLOBO, inclusive com o integrantes do PSD, ele não foi convidado.
— Se fosse convidado, eu iria — declarou Ramuth.
O ato inaugural da campanha de Tarcísio está marcado para o dia 1º de agosto, na convenção partidária do Republicanos, no Ginásio do Ibirapuera, parque mais famoso da capital paulista. MDB e Podemos devem compartilhar a mesma estrutura, ainda que em reuniões separadas, como exige a Justiça Eleitoral.
O evento deve reunir representantes de todos os partidos que formam a coligação, como PL, PSD, PP, União Brasil, MDB e Podemos, que juntos controlam uma ampla maioria de municípios.
O principal adversário na disputa, Fernando Haddad (PT), oficializa a candidatura uma semana antes, em convenção sediada em Campinas, com apoio de PSB, PDT, PSOL, PV, PCdoB e Rede. Em desvantagem nas pesquisas, ele tem como tarefa equilibrar a distância de Lula para Flávio no maior colégio eleitoral do país.
- Flávio Bolsonaro
- Gilberto Kassab
- Ronaldo Caiado
- Tarcísio de Freitas