Na primeira live desde que fugiu para os EUA, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ontem que decidiu deixar o país após conversar com a mulher, Fernanda, e manteve o plano em sigilo para evitar que fosse frustrado. O senador relatou ter recebido um alerta do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante o último encontro entre os dois, na segunda-feira, quando foi intimado a entregar seus passaportes. Ainda existem questões não respondidas sobre a fuga. Veja abaixo: Leia mais : Flávio diz que recebeu alerta do pai, mas decidiu apenas com a mulher sair do país: ‘Pronto para disputar a Presidência de novo’ Política: Servidora PCD é demitida pela gestão Tarcísio após criticar fala de Flávio sobre ‘nove dedos’ Qual foi o trajeto de Brasília a Foz do Iguaçu? O trajeto de Flávio da Argentina para os EUA já é conhecido, mas ainda há lacunas sobre qual foi o caminho feito da capital federal a Foz do Iguaçu (PR), na fronteira. A investigação trabalha com a possibilidade de que ele tenha feito o trajeto por via terrestre, o que levaria cerca de 20 horas, ou aérea, em jato privado que tenha decolado de algum aeródromo ou pista de pouso em propriedades rurais de Brasília. Outra hipótese é que Flávio tenha feito parte da viagem de carro e parte de avião. Houve ajuda de empresários e aliados? A PF apura se o senador contou com auxílio. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, por exemplo, ajudou na articulação da fuga do irmão, segundo a colunista Bela Megale, e foi peça central na disseminação de desinformação para despistar que Flávio estava saindo do país pela Argentina. Aliados de Eduardo propalaram o plano de que ele havia viajado via Venezuela. O entorno do senador passou a terça-feira dizendo que estava sabendo da fuga pela imprensa e que o parlamentar estava incomunicável. O governo Milei ajudou na fuga do senador? A PF trabalha com a suspeita de que Flávio contou com o apoio do governo argentino de Javier Milei para empreender a saída do país. Entre os indícios está a presença de um assessor do presidente na região da Tríplice Fronteira, que estaria monitorando de perto a operação. Parlamentares argentinos que fazem oposição a Milei têm cobrado explicações do governo e questionado se houve o emprego de agentes de inteligência e recursos públicos na empreitada. Na mesma transmissão, Flávio afirmou estar disposto a disputar novamente a Presidência da República, anunciou apoio a Rogério Marinho (PL-RN) para o comando do Senado e criticou negociações envolvendo a liberdade do pai. O senador também detalhou o último encontro entre eles: — Eu não sabia que seria a última vez que veria meu pai. Eu falei do resultado das eleições e, passados os 30 minutos, uma pessoa bate na porta. Quando veio dizer que o horário acabou, disse que tinha um pessoal da PF. Eu olhei para o meu pai e disse: “A perseguição começou” — relatou. O parlamentar justificou a saída alegando que poderia ser alvo de novas medidas judiciais. Ao tratar de seu futuro político, Flávio afirmou que está disposto a concorrer novamente ao Planalto e sugeriu que isso poderia ocorrer antes de 2030. O senador associou essa possibilidade à expectativa de uma crise econômica que, em sua avaliação, poderá abreviar o novo mandato de Lula, mas não explicou em que circunstâncias poderia haver nova eleição presidencial. — Qualquer coisa que aconteça, eu vou estar aqui pronto, inclusive, se for preciso, para disputar a Presidência da República de novo. (...) Eu não tô falando de 2030, não. Eu tô falando de antes disso — afirmou.
Trajeto, apoios e Milei: veja perguntas ainda sem respostas sobre a fuga de Flávio Bolsonaro aos EUA