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Tucano histórico e defensor do impeachment de Dilma, Aloysio Nunes se filia ao PSB em evento com Alckmin em SP

Tucano histórico e defensor do impeachment de Dilma, Aloysio Nunes se filia ao PSB em evento com Alckmin em SP

O ex-senador e ex-chanceler Aloysio Nunes Ferreira se filiou ao PDB nesta sexta-feira (26), em São Paulo, em um evento que contou com lideranças do partido como o vice-presidente Geraldo Alckmin, a deputada federal Tabata Amaral e ex-governador Márcio França. Aloysio não será candidato nas eleições de outubro (o prazo para a filiação de candidatos terminou em abril), mas, de acordo com fontes ouvidas pelo GLOBO, ingressou na legenda para emprestar seu "peso político" ao grupo.

Figura histórica do PSDB, Aloysio, de 81 anos, deixou a legenda em 2024 e, desde então, reside em Bruxelas, na Bélgica, onde atua na Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A pasta foi ocupada por mais de três anos por Alckmin, também egresso do PSDB e próximo de Nunes.

O PSB tem peso importante na composição da chapa da esquerda em São Paulo: a ex-ministra Simone Tebet será candidata ao Senado ao lado de Marina Silva (Rede), enquanto Márcio França concorrerá a a vice-governador junto de Fernando Haddad (PT), que encabeça a chapa.

— Eu estava sem partido, tinha saído do PSDB, mas eu estava me sentindo nu. Porque eu sinto falta da vida, do convívio com os companheiros, de discutir política, de traçar projetos comuns. Eu sentia falta da vida partidária. Eu sempre fui militante partidário. Eu fui levado para a política no Golpe de 64, eu sou da geração que entrou para a política no Golpe de 64 — disse Aloysio.

No evento, Alckmin relembrou o apoio de Aloysio à eleição de Lula, há quatro anos.

— Nós já estivemos juntos em 2022, na luta pela democracia, para não deixar voltar a ditadura no Brasil, na grande frente para apoiar o presidente Lula. Agora, quatro anos depois, o Brasil avançou em todos os setores — disse Alckmin.

O evento teve também as presenças da deputada Marina Helou e da vereadora Marina Bragante, que migraram da Rede para o PSB neste ano, além do deputado Caio França e de Silvio Torres, ex-deputado e ex-secretário do Alckmin.

'Quero ver a Dilma sangrar'

Em maio de 2022, ainda no PSDB, Aloysio Nunes Ferreira foi um dos primeiros tucanos a declarar apoio a Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, Alckmin, já no PSB, havia acabado de ser anunciado como vice do petista. O ex-governador João Doria, então no PSDB, ainda postulava uma candidatura à presidência, mas Nunes não via viabilidade na ideia.

– A hipótese de uma terceira opção vigorar e ter êxito não existe. Hoje 70% dos eleitores já estão nessa polarização (...) Hoje só tem duas vias: a democracia e autoritarismo. Presto as minhas homenagens ao ex-governador Ciro Gomes (então no PDT e hoje no PSDB), cuja candidatura é bom que se mantenha, já que tem o seu recado a dar. Mas só quem tem condição de liderar um movimento popular é o Lula – disse Aloysio à época.

França, Tabata, Alckmin, Aloysio, Caio França, Marina Helou, Marina Bragante e Silvio Torres — Foto: Sergio Quintella / O GLOBO
França, Tabata, Alckmin, Aloysio, Caio França, Marina Helou, Marina Bragante e Silvio Torres — Foto: Sergio Quintella / O GLOBO

A posição contrastava com declarações e posturas anteriores de Aloysio, sobretudo durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. O então tucano foi um duro crítico da ex-presidente e chegou a dizer que queria vê-la "sangrar" politicamente.

– Não quero o impeachment, quero ver a Dilma sangrar — disse, ao participar de seminário no Instituto Fernando Henrique Cardoso (IFHC), na capital paulista. Dois anos antes, ele tinha concorrido a vice-presidente na chapa derrotada de Aécio Neves (PSDB).

Nascido em 1945, Aloysio Nunes é advogado formado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP. Ao longo da vida pública, foi duas vezes deputado estadual (entre 1983 e 1991), vice-governador do estado (1991 a 1994) e deputado federal por três vezes (1995 a 2007).

Em 1997, filiou-se ao PSDB, onde permaneceria por 27 anos. Antes de se tornar um tucano, foi filiado ao PMDB e Partido Comunista Brasileiro.

Clima de campanha

Em sua fala sobre a entrada de Aloysio no PSB, Alckmin também comentou o acerto no dia anterior para a definição da chapa estadual em São Paulo.

— Ficamos duplamente felizes. Primeiro, pela chapa, que ontem fechou. (Haddad e França são) dois pré-candidatos com estatura de governador, com experiência, espírito público. A diferença é que amanhã nós vamos chegar, vamos ganhar a eleição. E duas senadoras, duas mulheres que já foram senadoras, ministras, vão fazer também uma grandíssima campanha — disse Alckmin.

Tabata Amaral foi mais incisiva e disse que as campanhas devem ir já para as ruas.

— Aproveito para comentar da minha felicidade de saber que o nosso time está montado. Vocês sabem que eu estava ansiosa por isso, porque o outro lado está trabalhando e a gente tem um time bom e a gente tem que ir para rua defender esse time. Primeira coisa é eleger nosso presidente Lula, com nosso vice-presidente Geraldo Alckmin, mas também para o enfrentamento aqui em São Paulo. Essa junção é boa, essa mistura é boa — ela afirmou.