A disputa jurídica entre o governador eleito Douglas Ruas (PL-RJ) e o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) ganhou novos capítulos, com mais uma leva de acusações levadas à Justiça Eleitoral por ambos os lados nesta semana. Na quarta-feira, Paes pediu uma investigação contra a chapa vitoriosa por irregularidades em materiais de campanha e suposta compra de votos. Antes, Ruas já havia ido ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) solicitar uma investigação contra a campanha do ex-prefeito por uso indevido dos meios de comunicação. Ruas alega que o adversário manteve um site para atacá-lo e que chegou a anunciá-lo durante o debate da TV Globo. Segundo os advogados do governador eleito, o site estaria hospedado nos Estados Unidos, o que seria uma violação da legislação eleitoral. Na outra ação, Ruas alega que o canal de WhatsApp Exército Dudu deve ser investigado por transmitir aos "destinatários uma compreensão objetivamente incompatível com a eficácia atual do resultado proclamado pela Justiça Eleitoral". Como evidência, são citadas mensagens que circulam no canal, como uma que diz: "Vai ter 2º turno para governador no Rio! Entenda". "Embora a utilização de linguagem enfática seja comum ao debate político, a afirmação de que haverá obrigatoriamente uma segunda votação não corresponde ao estado jurídico atualmente decorrente da homologação realizada pelo TRE-RJ", diz a petição. Aliados de Paes que promoveram o canal, como o secretário de Conservação do Rio de Janeiro Diego Vaz, também são citados. No caso de Vaz, Ruas pede que seja investigado se recursos da pasta foram usados no canal. A petição solicita também que o canal seja suspenso e que Paes seja questionado sobre sua relação com o perfil. Já a petição apresentada por Paes aponta que a campanha adversária teria feito uma "estratégia coordenada de desinformação", com "manipulação do eleitorado e compra de votos". Um dos casos citados é de um panfleto distribuído no dia do pleito em que Paes era associado ao número 22, do partido de Douglas Ruas. Outra acusação recaí sobre um panfleto no qual Paes era apresentado como inimigo dos valores cristãos e da família. Segundo a petição, o panfleto impresso pela campanha de Ruas associava o candidato indevidamente à defesa do aborto, liberação das drogas e à doutrinação nas creches e escolas, dentre outros. O panfleto era acompanhado dos dizeres: "Evangélico, de que lado você está?". Uma terceira irregularidade teria envolvido outro panfleto que contrapunha a aliança entre Lula e Paes à de Douglas Ruas e Flávio Bolsonaro. Na peça de propaganda constava apenas os números 13 e 22, estando ausente o 55 do PSD, partido do ex-prefeito. Para a campanha de Paes, tratou-se de "uma tentativa deliberada de confundir o eleitorado" Paes alega também existirem evidências de compra de votos e cita relatos publicados em plataformas como X, Instagram e Facebook. A petição também afirma que sete denúncias nesse sentido foram encaminhadas pelo Disque Denúncia ao TRE-RJ.
Um mês após 1ºturno, Ruas e Paes vão à Justiça e trocam denúncias de crimes e irregularidades eleitorais