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Valdemar minimiza proximidade de ACM Neto com Caiado e prevê apoio do carlismo a Flávio Bolsonaro na Bahia

Valdemar minimiza proximidade de ACM Neto com Caiado e prevê apoio do carlismo a Flávio Bolsonaro na Bahia

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, minimizou a proximidade do pré-candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União) com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), que busca disputar o Planalto. Enquanto membros do diretório baiano do PL resistem a entrar na campanha pelo herdeiro do carlismo, Valdemar afirmou acreditar que o ex-prefeito de Salvador irá apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial.

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— Eu tenho uma aproximação muito grande com o ACM Neto. Ele tem um candidato, o Caiado é um candidato, um bom candidato, não tenha dúvida. Mas eu acho que ele vai caminhar, no final, a apoiar o candidato do PL — disse Valdemar em entrevista à Rádio Morena 98,7 de Itabuna, sem cravar se esse palanque seria no primeiro ou em um eventual segundo turno.

Como mostrou o GLOBO na semana passada, a ausência de um apoio formal de ACM a Flávio abriu uma cisão no PL estadual e virou desafio extra para o senador em um estado que vem dando vitórias amplas a Lula e ao PT. Em resposta, integrantes do partido no estado resistem à possibilidade de pedir votos para o ex-prefeito de Salvador.

Há um acordo entre a equipe de ACM Neto e os dirigentes do PL sobre a eleição baiana. Foi decidido que o ex-prefeito apoiaria Caiado no primeiro turno, mas haveria a possibilidade de uma união com Flávio em eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PT tem o atual governador Jerônimo Rodrigues como candidato à reeleição — pesquisas recentes mostram um cenário de empate técnico entre o petista e o ex-prefeito de Salvador.

Há, no entanto, uma ala no partido que ainda pressiona o ex-prefeito a apoiar Flávio já no primeiro turno, diante da dificuldade do senador de consolidar palanques no Nordeste. O grupo contraria um pedido feito pela própria família Bolsonaro. Em maio, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) confirmou apoio a ACM Neto e disse que não adiantaria “torcer o nariz” para a decisão.

Por outro lado, o apoio à candidatura do ex-prefeito de Salvador, na atual configuração, é defendido pelo presidente estadual do PL, João Roma. O ex-ministro da Cidadania do governo Bolsonaro integra a chapa de ACM Neto, em uma das vagas para o Senado.

Caso Master

Durante a entrevista, Valdemar afirmou acreditar que o escândalo do Banco Master deve afetar negativamente a campanha petista na Bahia. A erupção do caso é a principal pedra no sapato tanto de ACM Neto quanto do PT nesta eleição, já que as investigações indicam correlações entre o banco e os dois campos políticos dos estado.

Um ponto sensível é a antiga relação entre o PT baiano e o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro que chegou a ser preso em novembro na operação Compliance Zero. Durante o governo Rui Costa, o petista privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo. A Ebal foi comprada por Lima, que também arrematou um cartão de crédito consignado para servidores e aposentados. Esse cartão, depois nomeado Credcesta, teve a operação expandida para todo o país em parceria com o Master, banco que Lima deixou em 2023.

Rui Costa incluiu o cartão no terceiro leilão da empresa — depois de duas tentativas malsucedidas de venda à iniciativa privada. O ex-ministro defendeu a decisão, em fevereiro, afirmando que a operação foi o que viabilizou o negócio.

Já documentos entregues pelo banco de Daniel Vorcaro à Receita Federal apontam o pagamento de R$ 5,4 milhões ao ex-prefeito por meio de sua empresa de consultoria entre 2023 e 2025. ACM Neto argumentou que a relação com o Master foi firmada sem que qualquer um dos sócios da empresa “ocupasse cargo público à época da formalização e execução do contrato”. O ex-prefeito diz que fazia análise da “agenda político-econômica nacional” e participou de uma série de reuniões com representantes do banco.

Os documentos também identificaram transferências de R$ 14 milhões, entre 2022 e 2025, para a empresa BN Financeira, que tem como sócia Bonnie Bonilha, mulher de um enteado de Jaques Wagner. O contrato foi firmado em 2021 e, no último ano, os pagamentos atingiram R$ 7 milhões. A firma nega ligação com o petista e diz que os “contratos tiveram por objetivo a prospecção e indicação de operações e convênios de crédito público e privado”.

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