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Valdemar se reúne com Zanin após Alerj pedir ao STF que Douglas Ruas assuma interinamente governo do Rio

Valdemar se reúne com Zanin após Alerj pedir ao STF que Douglas Ruas assuma interinamente governo do Rio

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, se reúne com o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira após a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) pedir à Corte que o deputado estadual Douglas Ruas (PL), recém-eleito presidente da Casa, assuma interinamente o governo estadual. O encontro está na agenda oficial do magistrado.

Relator da ação que questiona a realização de uma eleição indireta para o mandato-tampão no Rio, após a renúncia do ex-governador Cláudio Castro (PL), Zanin concedeu uma liminar no fim de março suspendendo o pleito para o governo fluminense. O despacho também estipula que o cargo de governador seja exercido pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto, até que a questão seja solucionada.

Na ação, o PSD, partido do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes, defende que a eleição seja direta e alega que a renúncia de Castro foi uma tentativa de driblar a lei eleitoral. Ele foi condenado por 5 a 2 por abuso de poder político e econômico na campanha de 2022 e ficará inelegível até 2030, ou seja, oito anos a partir da data em que o crime eleitoral foi cometido. O Rio não tem vice-governador desde maio de 2025, quando Thiago Pampolha renunciou para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).

A discussão jurídica sobre a perda ou não do mandato é central na definição do modelo de escolha para o mandato-tampão. Entenda abaixo

- A lei estabelece que a eleição seja direta caso a vacância no cargo ocorra por “causa eleitoral”, a exemplo de uma cassação por crime eleitoral, a mais de seis meses do fim do mandato.

- Na hipótese de, a mais de seis meses do fim do mandato, os cargos estarem vagos por uma motivação não eleitoral, os estados têm autonomia para definir o formato. A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovou uma lei determinando que a escolha seja feita pelos próprios deputados estaduais nesse caso, o que também está em debate no STF

A questão começou a ser examinada pelo plenário do STF, mas o julgamento foi suspenso por um pedido de vista. Ao solicitar mais tempo para analisar o caso, o ministro Flávio Dino ressaltou que é necessário aguardar a publicação do acórdão do TSE para esclarecer se houve ou não a cassação do mandato de Castro. Segundo ele, só com o documento será possível entender qual foi a avaliação da Corte eleitoral sobre a renúncia de Castro, ocorrida no meio do julgamento, se foi considerada juridicamente válida ou uma tentativa de fraudar os efeitos da condenação.

Como mostrou O GLOBO, o acórdão do TSE do julgamento que tornou Castro inelegível já foi concluído e não estipula se a eleição para o mandato-tampão no comando do estado deve ser direta ou indireta. O documento, contudo, ainda não foi publicado pois o TSE aguarda a finalização de trâmites internos, de acordo com interlocutores do tribunal. A tendência é que isso aconteça nos próximos dias, período em que ainda pode haver ajustes no texto.