A Polícia Federal afirma que mensagens, áudios e chamadas de voz demonstram a relação de "elevado grau de confiança pessoal" entre o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, e o empresário Augusto Lima, que teria propiciado "tratativas em prol da defesa de interesses privados" do Banco Master. Em um dos diálogos interceptados pelos investigadores, Augusto Lima afirma ao senador: "Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”.
A declaração ocorreu quando o ex-sócio do Master explicava ao senador, em março de 2025, os termos da operação de compra do banco chefiado por Daniel Vorcaro pelo Banco Regional de Brasília (BRB). A Polícia Federal vê uma correlação entre parte de "vantagens indevidas" recebidas pelo senador e sua atuação na fiscalização parlamentar da operação.
Parte das mensagens entre Jaques e Augusto Lima consta da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou realização de buscas contra o senador nesta manhã. Em um diálogo em 23 de novembro de 2023, por exemplo, o senador questiona o empresário sobre os "ingressos de sábado", dois dias depois. Em seguida, o ex-sócio do Master lhe enviou arquivos de ingressos para camarote. Ainda de acordo com a PF, Jaques pediu mais ingressos. Augusto respondeu: “Pronto amigo. Seguem os outros dois. Abs.”
Outra conversa que, segundo a PF, demonstra a "relação de proximidade" entre o ex-sócio do Master e o senador inclui áudios e mensagens de texto trocadas entre os dias 11 e 13 de outubro de 2023. Segundo a PF, nesse diálogo, os dois combinam um encontro na Ilha da Paixão, que seria de propriedade do banqueiro. Os investigadores dizem que Augusto Lima colocou aeronave particular à disposição de Jaques e de sua família para o deslocamento entre Salvador e a ilha. Por mensagem, o banqueiro encaminhou o prefixo de aeronave e o horário do voo para o parlamentar.
Uma outra conversa, na mesma linha, fez a PF suspeitar que era recorrente que Augusto Lima disponibilizasse aeronaves privadas para Jaques. Os investigadores desconfiam que, em abril de 2024, o senador e o banqueiro trataram de um deslocamento para o Rio de Janeiro. Após uma chamada de voz, Augusto encaminhou ao parlamentar o contato de “Breno Copiloto Banco”. Em seguida, repassou ao piloto o contato do senador.
'O preço é 2,45 mi'
Outras mensagens estão ligadas à compra de um apartamento que a PF trata como possível vantagem indevida ao senador. No dia 26 de novembro de 2024, Jaques enviou a Augusto Lima o contato do gerente de uma construtora em Salvador e escreveu: “a unidade é a 1702 e o preço é 2,45 mi”. No dia seguinte, encaminhou o livro digital do empreendimento.
Meses depois, em maio de 2025, o senador encaminhou ao banqueiro mensagens que seriam de um de seus filhos. Nelas pedia-se os dados do proprietário formal do imóvel para emissão de Registro de Responsabilidade Técnica (RRT). O final da mensagem registrava: "Consegue esses dados". No dia seguinte, Jaques e o ex-sócio do Master falaram por telefone. Em seguida, Augusto encaminhou a Jaques o contato de David Monteiro, apontado como operador do núcleo empresarial e jurídico-financeiro associado ao Banco Master.