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Vorcaro apresenta nova proposta de delação premiada para PF e PGR

Vorcaro apresenta nova proposta de delação premiada para PF e PGR

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apresentou uma nova proposta de delação premiada para a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). O documento foi apresentado em uma reunião nesta segunda-feira entre os advogados e os investigadores. Os anexos ainda receberam complementos nesta terça. A informação foi revelada pela TV Globo e confirmada pelo GLOBO.

Um novo encontro havia sido marcado para esta quarta-feira, mas ele foi cancelado porque os investigadores pediram mais tempo para analisar os novos anexos.

Esta é a segunda versão apresentada pela equipe de defesa do banqueiro, que passou a ser coordenada pelo criminalista Sérgio Leonardo no fim de maio. A primeira proposta, que era encabeçada pelo advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, foi rejeitada pelos investigadores, que a consideraram "inconsistente" e "omissiva".

A expectativa entre os integrantes da PF e da PGR é que o acordo só irá adiante se Vorcaro "ampliar o escopo" das apurações sobre as fraudes bilionárias do Master - liquidado em novembro do ano passado pelo Banco Central. Há uma percepção entre eles de que os primeiros anexos se tratavam mais de uma peça de auto-defesa de Vorcaro do que um conjunto de relatos com a admissão de crimes e a indicação de novas provas.

Investigadores envolvidos nas negociações avaliam que ele precisaria aprofundar os detalhes das relações políticas que mantinha e apresentar provas que corroborem frentes de apuração já em andamento. O mês de julho é visto por investigadores como um limite para que a delação não fosse contaminada pelo período eleitoral - por isso, a defesa correu para entregar a nova versão nesta semana.

Além de fornecer mais informações sobre as negociatas, a PGR e a PF esperam a admissão das irregularidades praticadas por ele, o que não aconteceu na primeira proposta, e o passo a passo de como ele movimentou bilhões de reais por meio de uma teia de fundos nacionais e internacionais. O objetivo é obter de Vorcaro uma reparação de cerca de R$ 60 bilhões como condição para a assinatura do acordo.

O cálculo leva em conta o prejuízo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a perda que o BRB teve na compra de carteiras falsas do Master e o volume destinado por fundos de previdência estaduais e municipais, como o Rioprevidência e o Amprev (do Amapá).

Após ter descartado o primeiro conjunto de anexos, considerados "seletivos" e "insuficientes", a Polícia Federal se colocou à disposição para voltar à mesa de negociações com a defesa de Vorcaro. Em um ofício enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, a corporação se disse aberta a receber uma nova proposta.

A PF, no entanto, deixou claro que pretende fazer "jogo duro" com o banqueiro, que na primeira oportunidade omitiu relatos de interesse dos investigadores, como o suposto pagamento de uma mesada ao senador e presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), que foi alvo de uma operação de busca e apreensão e nega irregularidades.

Após ser formalizado, o acordo precisa ser aprovado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que já mandou sinais de que não dará o seu aval se a colaboração não avançar em relação ao que já foi descoberto.

A troca recente na coordenadoria da defesa de Vorcaro foi vista como um sinal de que o banqueiro está disposto a contar mais sobre o que sabe em troca dos benefícios penais. A função do criminalista Juca foi assumida pelo também criminalista Sérgio Leonardo, que já vinha acompanhando Vorcaro desde o ano passado e se aproximou mais depois que ele foi preso, em março.

A expectativa é que, com a mudança na defesa, o banqueiro abandone uma postura considerada “seletiva” e entregue detalhes sobre movimentações financeiras, patrimônio oculto e recursos supostamente desviados, inclusive no exterior. Apesar disso, investigadores dizem ainda não ter convicção de que Vorcaro esteja disposto a avançar nesse nível de detalhamento.

Enquanto o acordo não sai do papel, a PF e a PGR têm avançado nas investigações a partir da análise de 8 celulares que foram apreendidos com Vorcaro e o cruzamento desses dados com relatórios produzidos pelo Banco Central e Receita, relatórios de inteligência financeira e o conteúdo de aparelhos de outros alvos.