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Vorcaro entrega proposta de delação à PGR e PF: histórico de acordos desafia relação entre os órgãos

Vorcaro entrega proposta de delação à PGR e PF: histórico de acordos desafia relação entre os órgãos

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, entregou ontem à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia visualisation/28860415?1574147Federal (PF) uma proposta de delação premiada. O conteúdo será analisado pelos investigadores, que podem fechar um acordo com o executivo, pedir acréscimos ou rejeitar a colaboração. Envolvido em um grande esquema de fraude, Vorcaro terá que apontar informações que sirvam para elucidar crimes fora do radar das autoridades, além de concordar com a devolução de quantia bilionária. As tratativas desafiam a relação entre procuradores e policiais, que buscam protagonismo.

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Desde o fim do ano passado, ele é investigado por tentar comprar influência política para manter as operações de seu banco, posteriormente liquidado pelo Banco Central, em um escândalo com potencial de atingir figuras importantes dos três Poderes.

A proposta consiste em uma sequência de capítulos do que Vorcaro pretende contar às autoridades em troca de benefícios, como a redução da pena ou mudança de regime prisional, em caso de condenação.

Cada anexo se refere a um tema diferente em que os advogados apontam outros participantes dos supostos crimes e os meios para se confirmar os fatos narrados. Até o momento, não houve a entrega de nenhum documento ou depoimento para corroborar o pedido, o que deve ocorrer se a PGR e a PF concordarem em avançar com o acordo.

A conclusão da proposta de delação foi revelada ontem pela coluna de Lauro Jardim, do GLOBO, e ocorre após um mês e meio de encontros quase diários entre Vorcaro e seus advogados na Superintendência da PF no Distrito Federal, onde o banqueiro está preso desde março. Antes, ele estava na penitenciária federal de segurança máxima de Brasília.

Caso seja aceito pela PGR e pela PF, o acordo será submetido ao aval do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Master na Corte. Mendonça decidirá sobre a legalidade do compromisso firmado.

PF a reboque

Antes de Vorcaro entregar a proposta aos dois órgãos, a PF havia sido de deixada a reboque nas tratativas. Desde a transferência do banqueiro para Brasília, sua defesa passou a tratar diretamente com a PGR.

A expectativa inicial era que presença do banqueiro na Superintendência da PF pudesse facilitar a delação pela proximidade com os policiais. Vorcaro teria maior acesso aos investigadores, o que poderia acelerar o processo, mas o que de fato ocorreu foi que, desde então, os advogados passaram a tratar diretamente com procuradores sobre a apresentação do material. A primeira versão da colaboração, porém, foi entregue a ambos os órgãos de investigação.

Em outra investigação relevante, o processo de delação do empresário Maurício Camisotti, envolvido no esquema de fraude do INSS, teve que ser reiniciado. O acordo ocorreu a partir de negociação exclusiva com a Polícia Federal, o que gerou atrito com procuradores. Após a PGR questionar o modelo, o processo começará novamente para incluir procuradores. O caso também está sob relatoria do ministro André Mendonça.

Delações já foram motivo de estranhamento entre PF e PGR em outros casos que geraram repercussão política relevantes, da Lava-Jato à colaboração de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro.

Interlocutores da PGR afirmam que esta é a primeira versão apresentada pela defesa, e ponderam que o momento, agora, é de “analisar a qualidade e a consistência” do que foi entregue. Se as tratativas com Vorcaro avançarem, o banqueiro passará à fase de depoimentos formais.

Investigadores esperam que Vorcaro detalhe o envolvimento de políticos e integrantes do Poder Judiciário no esquema de fraudes do Master. As autoridades avisaram que só aceitarão o acordo se o banqueiro entregar informações inéditas, que vão além do conteúdo dos seus celulares, que estão em posse da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal desde o fim do ano passado. Um dos pontos de maior interesse dos investigadores é o mapeamento das movimentações financeiras do banqueiro no exterior.

Há uma percepção entre advogados que acompanham o caso de que a defesa de Vorcaro acelerou a entrega dos anexos em razão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, preso na última fase da Operação Compliance Zero, também ter sinalizado a intenção de fechar uma delação.

Requisitos legais

A lei exige que a colaboração produza resultados concretos, o que inclui a identificação de integrantes da organização criminosa, a compreensão da divisão de tarefas dentro do grupo, o rastreamento de recursos e a eventual recuperação dos ativos desviados.

Cabe à PF e à PGR verificar a veracidade das informações apresentadas. A palavra do colaborador, isoladamente, não basta para sustentar uma acusação — é necessário que ela seja confirmada por outras provas.

Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, quando tentava embarcar em um jatinho com destino a Dubai, nos Emirados Árabes. A Polícia Federal entendeu que se tratava de uma tentativa de fuga. O mandado foi cumprido pela Operação Compliance Zero, que naquela época investigava um esquema de fraudes do Master estimadas em R$ 12 bilhões.

Um dia depois da prisão do seu dono, o Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em razão de uma crise de liquidez e insolvência financeira. Essa decisão deflagrou a maior operação de resgate da história do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — mais de R$ 50 bilhões.

Em fevereiro deste ano, o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso no Supremo após a PF encontrar menções a ele no celular do banqueiro. Toffoli foi substituído por Mendonça, que em março decidiu prender Vorcaro pela segunda vez.