UNO MEDIA

Zanin autoriza investigação sobre ministro do STJ Moura Ribeiro em apuração da PF sobre suposta venda de sentenças

Zanin autoriza investigação sobre ministro do STJ Moura Ribeiro em apuração da PF sobre suposta venda de sentenças

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a instauração de um inquérito para investigar o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Paulo Dias de Moura Ribeiro no âmbito de uma apuração conduzida pela Polícia Federal sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais. O magistrado nega irregularidades.

A decisão, assinada em 19 de maio, acolheu um pedido da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) para ampliar as investigações e determinar novas diligências.

No relatório parcial encaminhado ao STF, a Polícia Federal afirma que, até aquele momento, não havia elementos informativos que indicassem a participação de servidores do STJ ou do próprio Moura Ribeiro em eventuais esquemas criminosos relacionados a processos vinculados ao gabinete do ministro.

Os investigadores, contudo, ressaltam que a hipótese não poderia ser descartada e defendem o aprofundamento das apurações antes de qualquer conclusão definitiva.

Segundo a PF, ainda existem "lacunas investigativas e pontos nebulosos" cuja elucidação é considerada essencial para esclarecer o caso. Por isso, a corporação pediu autorização para uma série de diligências, entre elas a análise do fluxo financeiro de investigados, o levantamento de informações sobre servidores que passaram pelo gabinete de Moura Ribeiro, bem como de parentes e pessoas próximas ao ministro, além da obtenção de cópia de procedimento administrativo instaurado pelo STJ contra um servidor do gabinete.

A Procuradoria-Geral da República concordou integralmente com os pedidos da Polícia Federal e defendeu a prorrogação das investigações, afirmando que as diligências solicitadas são proporcionais, não invasivas e necessárias para o esclarecimento dos fatos.

Na decisão, Zanin afirma que os pedidos da PF e da PGR merecem acolhimento porque podem permitir uma avaliação mais ampla sobre "supostas atividades criminosas envolvendo servidores, agentes privados ou mesmo autoridade com prerrogativa de foro". O ministro também destacou que a produção de novos elementos poderá definir, inclusive, se a competência para conduzir o caso permanece no STF.

Zanin determinou que o inquérito, inicialmente voltado à apuração de possíveis irregularidades envolvendo servidores do gabinete, também passe a ter como alvo o próprio ministro Moura Ribeiro, em razão da necessidade de investigar eventual envolvimento de autoridade com foro no Supremo. Segundo o relator, a medida é "imprescindível e razoável" diante da amplitude das diligências requeridas pela PF e pela PGR.

Além de autorizar as diligências, o ministro determinou que o presidente do STJ, Herman Benjamin, encaminhe ao Supremo cópia integral de eventuais processos administrativos instaurados contra servidores, efetivos ou não, que tenham atuado no gabinete de Moura Ribeiro entre 2019 e a data da decisão.

Em nota, o gabinete do ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro afirmou que ele desconhecia a existência de investigação instaurada sobre decisões por ele proferidas. Segundo a manifestação, o servidor citado na investigação atuou como assistente de plenário no gabinete entre 30 de janeiro e 16 de junho de 2019, após ter trabalhado anteriormente em outro gabinete, e foi exonerado "após atuação irregular", a pedido do próprio ministro.

"O Ministro Moura Ribeiro desconhece a existência de investigação instaurada sobre decisões que tenha proferido. O servidor citado atuou como 'assistente de plenário' de 30/01/2019 a 16/06/2019, tendo antes trabalhado em outro gabinete, e foi exonerado da função após atuação irregular, a pedido do próprio ministro", diz a nota.

O gabinete acrescenta que Moura Ribeiro é magistrado há mais de quatro décadas e afirma que "são completamente improcedentes quaisquer tentativas de associá-lo a fatos criminosos".