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Zema evita crítica a Flávio em convenção de olho em aliança com o PL no segundo turno

Zema evita crítica a Flávio em convenção de olho em aliança com o PL no segundo turno

O candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, usou seu primeiro discurso após ter sido escolhido pelo seu partido para disputar o Palácio do Planalto para focar em críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Supremo Tribunal Federal (STF). 

Em uma inflexão na postura adotada há algumas semanas, Zema evitou criticar Flávio Bolsonaro, candidato do PL a presidente, e ignorou a proximidade do adversário na corrida eleitoral com Daniel Vorcaro, preso após protagonizar o escândalo de fraude financeira do banco Master.

Questionado durante o evento sobre o recuo nas críticas ao presidenciável do PL, Zema foi sucinto. O ex-governador de Minas Gerais evitou inclusive citar o nome de Flávio durante o evento. 

— O que eu tinha de falar sobre o candidato, eu já disse, já me manifestei — disse em uma das ocasiões.

— As minhas críticas já foram feitas. Eu acho que não vale a pena você ficar repetindo, mas continuarei combatendo com todas as forças esse que é o maior câncer do Brasil, que é a corrupção. Principalmente com mudanças no Judiciário, onde estão muitas vezes a origem da maioria dos problemas.

Em outro momento, o ex-governador criticou os ministros do STF Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli,  e os associou   ao caso Master.

— Eu quero que o Brasil acabe com essa farra dos intocáveis, nenhum outro pré-candidato tem criticado tanto essa farra quanto eu. Inclusive estou respondendo com muito orgulho um processo do excelentíssimo senhor ministro Gilmar Mendes —  disse Zema: — Mas eu quero frisar aqui que quem andou no jatinho do banqueiro bandido foram os colegas dele, não fui eu. Quem conseguiu contrato de R$ 129 milhões com uma esposa foi o colega dele, quem fez uma transação no Tayayá foi outro colega dele — completou.

No dia 13 de maio, quando o site Intercept revelou que Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, Zema fez críticas duras a Flávio.

— Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil — declarou na época.

Em outras ocasiões, Zema também chegou a dizer que “assombração sabe para quem aparece” e que “nunca foi próximo” de Flávio.

Agora, o candidato a presidente do Novo tem adotado um discurso similar ao de Flávio e mirado em Lula e ministros do STF. Há uma avaliação de que os candidatos do Novo e do PL estarão juntos em um eventual segundo turno contra o petista.

Em um tom que deve marcar sua campanha presidencial, Zema disse que uma de suas principais virtudes  é ser um candidato antipetista. Ele também mencionou que entrou na política, ao disputar o governo de Minas pela primeira vez em 2018, porque era contra as gestões do partido no estado e no governo federal.

— Minha bandeira é estar contra o PT. Eu vi o PT destruir o Brasil — declarou.

Uma das preocupações da direção partidária do Novo é manter pontes com o PL e o bolsonarismo nos estados. A legenda, que hoje tem quatro deputados federais e um senador, tem a expectativa de eleger de 15 a 20 deputados e três senadores. 

Em alguns casos, o partido conta com o auxílio do bolsonarismo para isso. Os pré-candidatos ao Senado Marcel Van Hattem (Novo-RS), Deltan Dallagnol (Novo-PR) e Ricardo Salles (Novo-SP) têm sinalizado proximidade com o grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A interlocutores, Zema já disse que qualquer um dos que hoje se apresentam como candidatos a presidente, como Flávio, Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), seria melhor que Lula.

Agora, a aliados, o candidato do Novo tem adotado um tom mais cauteloso em relação a Flávio e o escândalo do Master. Zema tem dito que não cabe a ele fazer julgamento se Flávio é corrupto ou não e que as investigações precisam avançar para haver uma clareza.

Na semana passada, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal  para investigar o financiamento do filme Dark Horse.

A investigação busca esclarecer se o dinheiro enviado ao exterior para financiar o longa teve, na prática, outra destinação. A suspeita é que parte da produção tenha sido bancada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com o envio de R$ 61 milhões.